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quarta-feira, 25 de abril de 2018

8 galinhas e dois galos…


Na complexidade de informações que vamos recebendo, atendendo às diversas fontes e tentando digeri-las, ouvi, por estes dias, uma ‘promessa eleitoral’ de alguém, que não posso nem devo revelar quem é, sobre uma questão, de per si quase tão inócua e que mais parece um episódio anedótico doutras latitudes e noutras circunstâncias: dar aos cidadãos/eleitores oito galinhas e dois galos como forma de viverem a autopromoção rural e numa espécie de ‘política’ de sustentabilidade familiar…para uns de imediato ou para outros a mais longo prazo…

Desde longa data que se quis que as famílias pudessem sobreviver o mais possível com os seus meios, criados por elas mesmas ou sendo-lhes dadas condições de afirmação com meios próprios ou auxiliadas por outros. Quem não conhece verdadeiros heróis da sobrevivência por entre fragas e penedios. Quem não seria capaz de desfiar uma razoável lista de famílias que se destacaram pela combatividade de vida e de projetos. Quem não admirará famílias que dos parcos recursos fizeram medalhas de vitória… tantos em si mesmas como nos descendentes.

Quando o povo pode ser considerado ‘pequeno’ há quem se deseje substituir a esse mesmo povo, em muitos casos, usando-o como patrocinador das suas intenções. Quem não terá reparado nas artimanhas de tantas e tão diversificadas campanhas eleitorais, onde se pretende seduzir o povo menos bem esclarecido para que arrisque concordar e votar nos (mais) manipuladores programas, que só valem até ascenderem ao poder…pois, este tudo faz esquecer e parece tornar mais verdadeiros os candidatos…mesmo na mentira. 

= Se a promoção-campanha das ‘8 galinhas e dois galos’ pode soar a algo primário, outras iniciativas e declarações podem ser entendidas como mais rebuscadas, mas não menos atentatórias da inteligência, compreensão e sanidade dos visados… que somos todos nós. Vejamos alguns factos e as suas possíveis implicações:

 * É preciso aumentar a natalidade com o apoio da imigração – disse um responsável partidário na sua moção para a reunião magna do partido, a decorrer em breve. Mas não foram estes mesmos que andaram a criar condições para o aborto – até como tática de controle da natalidade – desde há vinte anos (o primeiro referendo ao tema foi em 1998)…e que agora querem que haja mais crianças para equilibrar o fosso demográfico? Quem só pensa depois do mal feito, talvez não seja digno da confiança que nele os eleitores depositam… Saber governar é, antes de tudo, intuir ainda antes de acontecer. De remendos esfarrapados estamos todos cheios, pois alguns deles são muito piores do que o original…  

* ‘Quando daqui a seis anos ao comemorarmos os 50 anos do 25 de abril poderemos dizer que eliminámos todas as situações de carência habitacional’…Talvez soe a mais uma meta audaciosa, mas inquinada no conteúdo e na forma, pois, são os mesmos que fazem tais declarações que querem ‘nacionalizar’ os edifícios de particulares degradados, mas não cuidam dos que lhes estão sob a sua responsabilidade nem dos afins seus correligionários…autarquias e propriedades estatais! Quem já viu tantos enunciados de intenções noutros campos, situações e desejos bem depressa verá tais objetivos caírem por terra, não dando crédito a mais esta intenção com sabor estatizante e quase leninista… 

* ‘Um país só pode avançar se a corrupção for banida’ – disse um dos militares da revolução de abril de 74, quando fazia o balanço dos tempos desde então até hoje decorridos – e continuou: os culpados da corrupção devem ser punidos não só judicialmente mas também nas urnas. Porque será que certas figuras só aparecem por ocasião das festas e dizem coisas tão óbvias, mas desde que os atingidos não sejam da sua coloração… Com tantos e tão variados casos de corrupção – na economia, na política, nas finanças e quase na dimensão cultural – será de levar a sério tão auspicioso prognóstico? 

= Verdadeiramente faltam homens e mulheres com capacidade de liderança, que saibam pensar nos outros e não nos seus meros interesses e ganhos. Se não formos capazes de mudar, iremos em breve cair no fosso…

 

António Sílvio Couto  


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