Nos dias mais recentes temos visto e ouvido um certo corrupio de ‘condolências’ pela cadela ‘amélie’ – de cinco anos de raça chihuahua – a grande dedicação duma atriz portuguesa…
Conjetura-se
sobre as causas de tão infausto acontecimento – uma destartarização dentária da
dita falecida – e o que daí surgiu como grande e enorme dor e a sua expressão
nas redes sociais, tendo atingido mais de quinze mil partilhas e comentários…
como sempre sensatos e disparatados, quando se trata de assuntos fora do
normal.
Talvez
não esteja só em causa olhar para este episódio de tristeza ou de alguma
melancolia, quando se perde alguém – a ministra da justiça portuguesa veio, por
estes dias, reclamar que os ‘animais não podem ser tratados como coisas’ – que
era importante para uma pessoa, que fez disso publicidade e se expôs na
configuração das reações públicas.
Talvez
tenhamos de refletir sobre certos indícios que estão a orientar a nossa
condição humana: somos nós, os humanos, para muitos setores públicos e sociais
vistos mais como números e estatísticas, mas outros seres vivos vão ocupando o
viver afetivo dessa outra conduta mais ou menos razoável…
Talvez
estejamos mesmo num tempo de viragem cultural, onde os animais vai ganhando
foro de identidade que noutras épocas não foram tidos na devida e correta
conta…
Talvez
vá crescendo a sensibilidade à humanização dos animais e como que se vá
degenerando a desumanidade aos humanos…até legislativamente!
= Se a
dedicação substitutiva aos animais vai polarizando muitas afetividades, vemos –
desde os nomes dados, como se fossem pessoas, até aos cuidados ministrados – por
outro lado, esmorecer o entusiasmo para com as crianças. Nalguns casos estas
como que são supletivamente desinvestidas, tanto na forma como no conteúdo. Agora
até os custos de veterinário podem ser incluídos nas despesas – pessoais ou
familiares – do imposto de rendimento singular…
Já o
referimos noutras ocasiões: enquanto virmos, nas grandes ou médias superfícies,
a secção de alimentação para animais suplantar a dedicada às crianças,
parece-me que estamos a correr riscos muito graves de civilização e de futuro
geracional… Com efeito, há sinais que devem ser lidos e interpretados com visão
e alcance de futuro… e não como simples moda ocasional!
= Não é
que os animais – sobretudo os ditos de companhia – não tenham (ou devam ter)
espaço e oportunidade nas nossas casas. Até porque muitos deles são bem mais
dedicados e fiéis do que alguns humanos!... Mas será sempre de saber viver a
correta presença e dedicação para que não tenhamos uma sociedade desarticulada
dos seus valores e das convivências harmoniosas, sensatas e civilizadas…
De igual
modo será atroz reduzir a espaços exíguos de apartamentos e a pequenos locais
animais que precisam de estar no seu habitat natural… só para satisfazerem os
intuitos de certos (ditos) donos ou (pretensos) proprietários…
Os
lamentos pela ‘amélie’ são aceitáveis, desde que isso não nos distraia dos
cuidados que as crianças, os mais velhos e os empobrecidos merecem ter sempre,
mas sobretudo neste ano jubilar da misericórdia.
O ‘irmão
lobo’ merece respeito, mas os bebés precisam de mais cuidados, sempre!
António Sílvio Couto
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