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segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Os conselhos do sr. Costa


Numa sessão de esclarecimento aos seus militantes, o atual primeiro ministro, deu os seguintes conselhos aos eleitores/cidadãos: a não fumar, a não andar de carro próprio (mas de transportes públicos) para não gastar gasolina/gasóleo, moderarem o recurso ao crédito… tudo isto e algo mais em ordem a pagar menos impostos, colhendo a reversão das medidas implementadas – ao que parece pelo governo – noutras áreas da fiscalidade.

= Esta atitude do atual primeiro ministro faz recordar outros conselheiros em tempo de governação, seja na América Latina, seja nas conversas em famílias do anterior regime, pois os cidadãos ‘precisam’ de quem lhes indique o caminho mais certo para pouparem e conseguirem os bons intentos das suas vidas e das suas famílias!

= Dá a impressão que certas pessoas não conseguem distinguir entre a popularidade e o populismo, se bem que se deva dizer antes popularucho… Torna-se, assim, mais claro que o paternalismo de Estado continua a figurar no imaginário (ou será fantasmagórico?) de certos governantes, deixando escapar algum dirigismo que se pensava ultrapassado pelos quarenta anos de (pretensa) democracia.

= Por muito que se queira desculpar a infeliz intervenção do primeiro ministro em exercício, isto denota que algo vai mal no reino da democracia portuguesa, pois se fosse dito por outro interveniente seria alvo de ridicularização e este senhor – e outros – diz isto e insinua muito mais e nada lhe acontece: está protegido por uma certa penumbra de aduladores que ainda não perceberam que a inteligência dos portugueses é mais acutilante que a esperteza de quem os tenta governar… aos soluços.

= Depois de serem rotulados de ‘ricos’ os que ganha mil e cem euros, depois destes conselhos à poupança, depois de vermos as contas do orçamento a serem maquilhadas para EU ver e aceitar, teremos de perguntar se ainda podemos ter espaço para pensar sobre o que mais nos irá acontecer em breve, pois campos para intervir não faltam…

= Em vez de se falar da sobrevivência da segurança social, de ser criado um pacto para a educação, de investir na criação de emprego a sério (não nas conjeturas e nas lavagens de números dos centro de emprego), na revisão urgente do sistema eleitoral, na aceção e execução da justiça, da boa saúde… vemos estes fait-divers de quem vai dando mostras de impreparação para o cargo e de incapacidade de criar sinergias entre os portugueses.

= Afinal, quem são os ricos: os que têm carro e pagam o combustível a peso de ouro? Quem define a ‘classe média’, a capacidade de consumo ou a mediania dos critérios de gastar? Quem faz a moralização da política, os mentores da economia ou a valorização dos critérios de vida? Até onde irá a ousadia de dar conselhos: teremos uma nova moralidade coletivista?

= Com os conselhos do primeiro ministro, talvez consigam sobreviver as empresas de transportes públicos e os sindicatos tenham um renascimento no tecido social e económico do país, pois se mais cidadãos lhes prestarem culto mais poder terão para condicionar a vida coletiva…

= Sr. Costa: obrigado, mas – digo por mim – dispenso os seus conselhos… até porque só me afeta no preço da gasolina…   


António Sílvio Couto


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