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sábado, 6 de fevereiro de 2016

Faltam-me 50 euros…para ser rico


Foi com um misto de incredulidade e de estupefação que ouvi o secretário de estado (talvez) das finanças ou de matéria aproximada dizer que, quem aufere de ordenado mil e cem euros, é considerado ‘rico’, entrando, assim, num novo escalão do irs…

Ora, sem denunciar as minhas fontes de rendimento – naturalmente parcas como padre/pároco, embora suficientes dentro da preparação ministrada no contexto católico de vivência do ‘espírito da pobreza’ – comecei a fazer as minhas titubeantes contas e dei por mim a ficar na barreira daquele montante do ínclito governante… e só me faltam cinquenta euros para ter o estatuto de ‘rico’, segundo tão dogmático conceito! Mesmo assim não deixarei de ser, possivelmente, taxado pela bitola do fisco com todas as suas artimanhas e recorrências…

= Dá a impressão que certas pessoas pedem o (mínimo) tino quando investidas em poder e ousam proferir declarações tão estouvadas, das quais se virão a envergonhar em breve, tal é a desfaçatez do dito e, sobretudo, do pretendido… Com efeito, não vale tudo para tentar lavar a incompetência, seja das ideias, seja das medidas tentadas implementar. Que não estejam (ou estivessem) preparados para governar nesta fase do país, percebe-se, pois o assalto ao poder foi tão agressivo que nem houve tempo de olhar a meios e a recursos. Que tenha sido preciso encontrar quem estivesse disponível para preencher o elenco governativo – o maior desde a revolução de 25A – e se tivesse chegado à boca de cena quem nem estava preparado, compreende-se, embora não seja aceitável. Que seja preciso atirar para a arena gente (dita) competente noutras áreas, mas que do saber político nada tem de suficiente, isso já não será (tão) razoável.

= Há pessoas que – historicamente e com dados – nunca souberam governar a própria casa, como poderão tentar conduzir o país, a nossa casa-comum? Há pessoas que estão habituadas a gastar sem fazer contas àquilo que se têm de verdade, como poderão assumir a tarefa de não exagerar nos gastos, mesmo que isso possa ser dispensável e escusado? Como poderemos entender certas posições tão perentórias com que algumas figuras do governo olham, displicentemente, o vulgo dos outros cidadãos? Será que se sentem acima dos outros ou, quando, investidos em poder, pretendem pisar quem se lhes oponha, mesmo que de forma racional e civilizada?

= A história não irá registar tanta mediocridade, por breve trecho ocupando os espaços do exercício da governação, pois já vimos demasiados outros arrogantes caírem à primeira dificuldade, tornando as suas certezas motivo de substituição e/ou de aniquilamento…político. Isto das contas requer muita competência e razoável humildade, pois até podem enganar-se na colocação dos dados na tabela de excel! Por isso, foi com preocupação do nosso futuro coletivo como país e, sobretudo, como nação que vimos, nesta saga dos dados para o OE2016, aparecerem tantas contradições matemáticas/económicas e ideológicas… dando o dito por não dito e a ‘palavra dada’ por não-honrada!

= Porque, cada vez mais, precisamos de ser governados por gente competente e séria, legitimada e sensata, livre e servidora do bem comum, acreditamos que, muito em breve, há de ser destronado, de forma democrática, quem nos vai enganando com este serviço de ‘chá e bolos’ (qual será a tabela do iva?)… enquanto nos vão (ainda) metendo a mão no bolso de forma indireta, acintosa e a médio prazo.

Afinal, são sempre os pobres – com vencimentos até oitocentos euros/mês – que pagam a crise!        

 António Sílvio Couto



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