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sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

Para uma ‘carta de motivação’


Já passou o tempo em que alguém conseguia um trabalho de forma tão direta – sem intermediários nem artifícios e tão pouco influências diretas ou indiretas – que bastaria a palavra do candidato e o acordo com o empregador para que o tão desejado lugar lhe fosse dado rapidamente. Na concorrência aos mais disputados lugares tem vindo a ser preciso submeter os pretendentes a alguma triagem, sob a apresentação do curriculum (há milhentas sugestões na internet), a uma possível entrevista mais personalizada e ainda esperar pela seleção definitiva…fazendo este percurso em tantas quantas as tentativas para arranjar/conseguir emprego!

Confesso a minha ignorância, que nunca tinha ouvido – até à apresentação de candidatura pública do ministro das finanças ao cargo de chefe do euro-grupo – numa tal ‘carta de motivação’. Socorrido da consulta internetana sobre o assunto encontrei os seguintes elementos:

* O que é? Uma ‘carta de motivação’ é considerado um documento que é enviado em conjunto com o curriculum, quando alguém se candidata a um emprego, apresentando a motivação do requerente a quem vai analisar o pretendido…

* Regras para escrever uma carta de motivação:

– quanto à forma não deve ter mais do que quinhentas palavras (cerca duma folha A4), com três curtos parágrafos, redigida em computador e não manualmente, sem erros ortográficos;

– sobre o conteúdo deve usar uma linguagem simples e direta, com os dados pessoais do candidato colocados no topo da página do lado direito, dirigida a uma pessoa e não ao geral da empresa, explicitando qual a vaga a que se candidata com os motivos convincentes para esse lugar, colocando os seus motivos positivos para corresponder ao anúncio de emprego…

* Elementos recomendáveis a apresentar – terá de saber apresentar os seus pontos positivos de candidato, seja a experiência profissional, se a tiver, ou percurso académico, se é recém-formado. Dever-se-á valorizar o candidato naquilo que o destaca do resto doutros possíveis candidatos, tais como o seu perfil de voluntariado, de pai ou mãe bem realizado ou de caraterísticas mais pessoais. Deverá saber o candidato dar razões para que possa ser uma mais-valia para quem o contrate…

Ficamo-nos por elencar alguns elementos da dita ‘carta de motivação’. Há erros a evitar. Há modelos sugeridos. Há dicas para tentar convencer… e tudo o mais que se pode encontrar em consulta na internet.

Por breves momentos vamos tentar fixar-nos no objeto da ‘carta de motivação’, pois dá a impressão que andamos muito distraídos destas coisas mínimas e nem sempre nos centramos no essencial.

– Além do valor da pessoa, apresentada no curriculum vitae, temos de saber quais as suas motivações. Pretender revelar-se aos outros é uma tarefa de assaz complexidade, dado que pode tentar fazer passar-se por alguém que ainda não prestou provas daquilo que diz ser ou ter, sobretudo se estivermos diante duma pessoa acabada de formar ou sem experiência de emprego, ou, pior ainda, se vem saltitando de emprego em emprego sem conseguir estabilidade… Fazer crer que é o mais competente para o cargo será tarefa nem sempre fácil de desempenhar, se for demasiado novo ou o historial de empregos ultrapassar a competência de trabalho… Quantos querem emprego e não trabalho!

– Atendendo ao emaranhado de relações em que vivemos e nos confrontamos cada dia, será sempre importante sabermos mais da personalidade de cada pessoa do que até dos conhecimentos adquiridos – tendo em conta a escola/faculdade onde foi formada mais do que o grau conseguido – na medida em que também os outros são pessoas que devem ser respeitadas no seu percurso humano, cultural e social. Não vale tudo para atingir os seus fins, pois os meios não são todos aceitáveis nem toleráveis.

 

= Numa nota final gostaria de deixar uma sugestão para aqueles que têm a responsabilidade de colocar, no contexto da Igreja católica, os padres nos seus lugares de serviço: seria muito útil que cada padre escrevesse a sua ‘carta de motivação’, dando as razões do seu préstimo pastoral. Talvez isso facilitasse a tarefa aos responsáveis e ajudasse a conhecer quem presta serviços. Não seria ainda de descuidar a necessidade de incluir na tal ‘carta de motivação’ a capacidade de saber integrar-se no dito presbitério, isto é, o conjunto dos outros e com outros padres da mesma diocese…Talvez tivéssemos muitas novidades e surpresas!       

 

António Sílvio Couto



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