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quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Santiago Maria


Segundo dados publicitados por estes dias, em 2016, os nomes mais dados a crianças foram: Santiago e Maria… nos registos em Portugal.

Eis a lista dos cinco primeiros nomes mais preferidos em cada sexo: masculino – Santiago (2102), João (1787), Francisco (1702), Rodrigo (1565) e Martim (1510); feminino – Maria (5640), Matilde (1835), Leonor (1783), Carolina (1174) e Beatriz (1154). 

= Desde logo se poderão colocar algumas questões: qual o significado de ‘dar o nome’ a alguém? Como se pode definir a identidade com a identificação? Será lógico dar um certo nome sem se saber qual a personalidade do identificado? Não andaremos, nestas coisas de pôr ou dar o nome, um tanto desfasados da visão mais profunda do ser humano? Certos nomes ‘da moda’ não revelarão (mais) alguma futilidade e inconsciência do que sabermos quem somos e qual a nossa missão neste mundo?  

= Atendendo à nossa tradição judaico-cristã, com fundamentação bíblica, ‘dar o nome’ está muitas vezes ligado às circunstâncias do nascimento, à missão dessa pessoa, que é confiada por Deus, podendo até ser mudado o nome, se essa pessoa recebe outra função ou tarefa da parte de Deus. Assim, no contexto bíblico, um determinado nome é mais do que uma forma de ser chamado, mas implica atender ao que essa pessoa recebe com responsabilidade enquanto vive nesta condição terrena…

Recordo-me de ter lido uma breve explicação da cultura dos índios e da forma como eles dão (ou dariam) o nome de alguém. Aquele que seria uma espécie de padrinho estaria com o pretenso afilhado durante algum tempo, conversando e estudando aquele a quem iria ser dado o nome… passado o tempo necessário e suficiente, saíram da tenda e seria posto, então, o nome, atendendo às caraterísticas e à personalidade dessa pessoa… Talvez, assim, se possa explicar a razão de certos nomes um tanto esquisitos ou menos conformes com a nossa cultura… 

= Ora, a vermos pela forma um tanto superficial com que vemos serem dados os nomes às pessoas, particularmente, na nossa cultura ocidental, como que poderemos ter de refazer muito daquilo em que andamos envolvidos na ‘denominação’ (na origem etimológica: de dar o nome, conhecer) e na ‘designação (colocar o selo ou a marca que distingue) sobre as pessoas e aquilo que elas estão incumbidas de viver com liberdade e responsabilidade.  

= Não será difícil perceber, ao escutarmos os nomes dalgumas pessoas, qual seria a telenovela da moda ou o programa televisivo onde esse nome aparecia… Quantos ‘marcos’ pululam por aí, atendendo à série de animação que passava na década de setenta do século passado… Só encontraremos a designação de ‘maria de fátima’ muitos anos após as manifestações (aparições) de Nossa Senhora naquela localidade na região de Leiria…até aí haveria muitas ‘marias… da conceição ou da senhora de maior devoção em cada localidade’…

Houve tempos em que se verificava o ‘dar o nome’ atendendo ao santo da data de nascimento da criança… Isso mesmo era recomendado nas regras da Igreja católica para que a pessoa tivesse alguém ‘santo’ ou de grande heroicidade que pudesse imitar…

Também aqui poderemos encontrar outra linha de nomes (mais) revolucionários onde os progenitores e os possíveis padrinhos – se é que tinham tal fé – se demarcavam do regime político ou até poderiam assim contestar a perseguição a que estavam submetidos… 

= Agora que o colocar um determinado nome está mais democrático, talvez valesse a pena refletir um pouco mais a sério sobre esta importante forma de identificar alguém. Talvez valesse ainda um pouco atender à linguagem com que nos dirigimos uns aos outros, como por exemplo ao dizermos: ‘como é que se chama’, quando deveríamos antes referir: ‘como é que o chamam’, pois chamar-se por um certo nome a si mesmo não parece ser muito correto nem manifesta algum equilíbrio…psicológico e emocional!

 

António Sílvio Couto



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