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segunda-feira, 10 de outubro de 2016

Género ‘novo’ com conceitos velhos?


Por estes dias esteve cá pela terrinha lusitana uma atriz americana, que se fez acompanhar com a sua ‘mulher’ – sim foi esse o termo usado – com que alguns órgãos da comunicação social se referiram à companheira pintora da dita – com exposição badalada, concorrida e apoiada pela autarquia onde tem estado a ser exibida – e que terá sido realizadora cinéfila e mediana representadora…

Mas se as ditas ‘senhoras’ (no feminino ou no masculino) têm igualdade de género, porque se há de referir a uma delas como se fosse ‘mulher’, podendo inferir que a outra será como que o ‘homem’? Dá a impressão que a legislação (apropriada ou não) andou à frente dos conceitos e que as referências sociais ainda não conseguiram encontrar outra designação que não tenha por modelo a mais clássica dicotomia masculino/feminino!

Se bem repararmos poderemos, nessa intencionada difusão da ideologia de género, que algum dos membros do par – tanto no masculino como no feminino – tenta assumir o ‘papel’ duma das partes que o outro ‘elemento’ não é nem com o qual se identifica. Dir-se-á que um faz daquilo que outro/a não quer ou que um outro/a tenta assumir a complementaridade – forjada ou virtual – da outra parte que se faz passiva ou menos (claramente) assumida! 

= Coisas da natureza ou resquícios de educação?

Se há situações que são sérias e de difícil gestão, outras há que quase roçam uma espécie de folclore mais ou menos mediatizado. Com efeito, há problemas de pessoas que, por razões endógenas, podem viver problemas de desadequação à sua personalidade… isso faz sofrer e cria uma certa complexidade para a sua resolução psicológica. Mas não serão umas tantas ‘paradas… do orgulho’ nem outros desfiles com bandeiras multicolores que irão solucionar o que há de mais profundo nos conflitos psicossomáticos e (até) espirituais.

Sem queremos de forma alguma não levar a sério esta questão, poderemos considerar que não é gay ou lésbica quem quer, mas quem pode, seja em razão da força moral, seja pela forma económica que reveste, tácita ou mesmo assumida.

Parece que, dum modo mais ou menos tolerado, alguns dos sinais de desconformidade com a linguagem sexual corpórea têm vindo a ser menosprezados, quando se trata de deixar revelar outras facetas que possam estar menos adequadas com a vertente inicial da pessoa. Em certos meios isso deixou de constituir motivo de exclusão… como em tempos não muito recuados ainda se podia verificar. Mas daí a tudo ser válido e (quase) incentivado terá de ir uma longa caminhada humana e cultural.

Talvez valha a pena citar o que sobre esta matéria diz o Catecismo da Igreja Católica (n.º 2358): «Um número não desprezível de homens e mulheres apresenta tendências homossexuais profundas. Eles não escolhem a sua condição de homossexuais; essa condição constitui, para a maior parte deles, uma provação. Devem ser acolhidos com respeito, compaixão e delicadeza. Evitar-se-á, em relação a eles, qualquer sinal de discriminação injusta. Essas pessoas são chamadas a realizar na sua vida a vontade de Deus e, se cristãos, a unir o sacrifício da Cruz do Senhor as dificuldades que podem encontrar devido à sua condição». 

= Questões à procura de resposta

Atendendo à problemática que envolve este tema da homossexualidade poderemos elencar algumas questões, sem talvez encontrarmos desde já resposta:

- Como vive a família este assunto? Será que é de fácil resolução ou terá implicações no comportamento das várias pessoas?

- Embora menos contestada socialmente, como podemos ajudar as pessoas sem fazermos disso uma anormalidade ou um problema não abordado?

- Já teremos encontrado uma forma humana e cultural que faça da diferença um assunto de liberdade ou seremos capazes de tratar o assunto com responsabilidade e respeito?

- No campo da fé – que é muito mais do que religioso – temos sabido aceitar com serenidade as opções ou estaremos antes a viver em tolerância descartável e ainda de suspeita?

   

António Sílvio Couto


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