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segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Quando a manipulação reina


Quem vir, escutar ou ler, por estes dias, as notícias do nosso país poderá ser tentado a dizer: reina uma paz social imensa entre todos… desde trabalhadores a empresários, de sindicatos a empregadores… nos mais diversos setores, sobretudo nos (visivelmente) contestatários como os transportes e os professores, passando pelas autarquias e na (apelidada) função pública.

Não se consegue totalmente perceber ao que se deve tal ruidosa pacificação. Será que está tudo a funcionar e todos ‘se dão bem’? Ou será que, não sendo dadas notícias sobre os (possíveis) conflitos, as coisas acalmam e se resolvem?

Tanto uma como outra destas (possíveis) razões são questionáveis. Pois, se a pacificação foi conquistada com mais uns trocos no ordenado mensal porque não se fez isso antes? Porque foi preciso esticar a ‘crise’ e se enfatizou tanto a ‘austeridade’? Ou se a pacificação se deve a que quem governa – sabe-se lá quem é? – porque é da mesma cor ideológica, então, estaremos sob uma ditadura de quem só cria paz quando os seus mandam ou os deixam mandar! Por outro lado, a ausência noticiosa sobre conflitos e protestos poderá servir para que se possa entender que os ‘profissionais’ da contestação conseguem condicionar as lutas e as demais serventias com que são preenchidos os alinhamentos dos noticiários… ao serviço doutros intentos e interesses. Certos ‘profissionais’ da comunicação têm algum jeito para acirrarem os ânimos, senão na forma, ao menos na interpretação dos casos que apresentam e servem… ardilosamente. 

= Fique claro: não há independência na comunicação social. Esta é tão facilmente comprada que já nem vale um simples prato de lentilhas. Veja-se a forma como certas figuras saltam das redações para os gabinetes de comunicação de ministérios, de cargos públicos e até para os interesses desportivos… de clube.

Já não basta saber quem disse, é preciso procurar, afinal, quem foi que induziu a dizer. De pouco adianta querer fazer de forma diferente, que, bem depressa, se cai no recurso a chavões, frases-feitas ou até a figuras da moda… logo facilmente descartáveis. Veja-se o inciso aos ‘pokemóns’ para falar de coisas sérias como a construção do futuro orçamento… A superficialidade da comunicação está a tornar-se o mais vendável e os estrategas servem-se disso para distrair e manipular…

= Embora o admire pessoalmente como político com influência cristã – queimado nas grelhas do avental em tempos do lamaçal – considero que o candidato luso às altas esferas da ONU poderia ser mais uma espécie de engano para a continuação de manipulação reinante cá pelas terras do ocidental da Europa. Cada vez mais vamos sentindo que a crispação ideológica vai deixando rasto no comportamento ético de muitos que têm mais a perder do que a ganhar com a batalha que têm curso… Por agora parecem a rã da fábula de Esopo tentando crescer até ao tamanho do boi… lá na estória, como em breve por cá, veremos os estilhaços espalhados sem recuperação…

 = São fortes os indícios dum certo estertor da civilização ocidental. Tal como no crepúsculo da sociedade romana antiga – com pão e jogos – estamos a sentir que será precisa uma séria revolução onde os paladinos das liberdades no antigo leste europeu possam experimentar os resultados – veja-se o que acontece na ‘próspera’ Venezuela – e que outros defensores do facilitismo (da esquerda caviar) possam sentir que os objetivos por eles defendidos só podem vingar porque há uma sociedade capitalista e liberal, que dá cobertura aos seus anseios de bem-estar e às travessuras de contestação… Se fossemos governados por tais ideais andaríamos todos à míngua de pão e de liberdade… De facto, a reivindicação só é possível porque os liberais dão paz e segurança… à mistura com tolerância e pagamento de impostos da iniciativa privada.  

= Como é capcioso o jogo de interesses com que certas autarquias promovem festas e distrações populares: à custa dum razoável capitalismo popular – suportado por taxas e prebendas – que vai entretendo o povo, excogitando o que há de mais sensorial e, assim, se governa com populismo e de mãos voltadas para recolher os proveitos, enrolando tudo e todos sem grande esforço e inteligência. Acordem!        

 

António Sílvio Couto

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