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quinta-feira, 9 de março de 2017

Tiques ‘novos’ à moda antiga


Por estes dias e nos tempos mais recentes temos vindo a assistir – nos vários campos de atividade e de ação pública e política, mas também social e até no âmbito religioso – ao ressurgimento de tiques mais ou menos já vistos e que tantos estragos fizeram no nosso país…nesta era da (dita) democracia.

O cancelamento duma conferência sobre ‘populismo ou democracia? O brexit, Trump e Le Pen em debate’, numa (pretensamente progressista) universidade, em Lisboa, tem sido como que o rastilho para percebermos que uns tantos podem silenciar quem não pensa como eles, aduzindo a isso epítetos e argumentos de colonialistas, racistas e xenófobos com que foram classificados, por uma tal associação de estudantes, os promotores e talvez os que pudessem interessar-se pela dita palestra…  

Outrossim se poderá dizer das posições de certas forças ideológicas que, quando não são favorecidas nas posições por algum organismo oficial – económico, de regulação, social ou cultural – logo atiram para a fogueira os visados e ameaçam com a modificação dos parâmetros ou com a extinção…libertando, deste modo, o campo para que seja feito segundo os seus critérios e vontades…

Mal vai uma Nação na qual seja preciso argumentar com a credibilidade da comunicação social, quando esta se faz, sobretudo, eco da voz do dono…seja ele estatal ou privado. Só alguém muito inocente acredita que haja independência total neste ‘quarto poder’, que por querer afirmar-se no espectro geral tem de lutar com as armas que pode e talvez nem sempre ser tão anódino como uns tantos queriam… Há, de facto, coincidências em noticiar temas que só ‘por acaso’ surgem quando é preciso desviar as atenções de algo que se deseja distrair. Talvez só por razões ético-profissionais não se diga tanto quanto é preciso e possível dizer. Só quem nunca tenha andado por certos círculos – ou circos – é que se admirará da criação de diversões e da ampliação doutros episódios…  

= Fazendo-nos eco duma passagem bíblica poderemos considerar: nada há de novo debaixo do Céu, pois o que antes se viu, agora – duma forma diferente, mas não totalmente nova – surge. Será preciso, então, saber um pouco da filosofia da história para sermos capazes de interpretar o que agora acontece, sem ficarmos aterrados ou admirados com o que se está a passar.

Falta a muita gente visão abrangente e capacidade de discernimento, pois quem se defende, por vezes, usa armas que denotam mais fragilidade do que superioridade. Com efeito, ter medo daquilo que os outros pensam e, sobretudo, se o fazem de forma diversa da sua, será, no mínimo, insegurança e pouca tolerância, respeito e aceitação da diferença…na prática.

Recorrer a estereótipos e acusações do passado será, muitas das vezes, mais arrogância do que inteligência, embora possa representar alguma esperteza. Com efeito, há quem conte mais com a sua esperteza sem atender à inteligência dos outros ou ainda sonegue esta sem atender àquela.

Entrincheirar-se nas suas certezas, normalmente, não costuma ser bom princípio para o diálogo, seja com quem for, pois este gera-se no confronto de posições, com respeito e dignidade, sem pretender vencer só porque se acha que tem mais cotação… De facto, certas atitudes que vemos por aí mais parecem as posições duns certos animais que enfincando os meios de locomoção no chão não andam nem deixam andar…na sua convicção.

O recurso à recuperação de certos adereços – mesmo de classe ou de afirmação pública duma vocação – tem vindo a ser outro aspeto de tique ‘novo’ à moda antiga. Para quem precisa de se afirmar pela distinção talvez isso possa ser razoável, pior será se isso servir para se defender ou tentar colher frutos dum posicionamento (dito) superior. Em certas circunstâncias dá a sensação de que, quem assim se apresenta, pode considerar-se melhor do que outros que, podendo ou circunstancialmente usando, não o fazem de forma habitual… Este tique corre o risco de se difundir mais do que parece em certos meios mais fundamentalistas ou anticristãos. 

= Perante certos tiques podemos concluir que já não apresentam nada de novo, antes dão a impressão que denunciam uma recauchutagem de má qualidade! Verdade a quanto obrigas!  

 

António Sílvio Couto



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