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terça-feira, 21 de março de 2017

Quando a maledicência parece compensar…


Desde há alguns dias que vimos andar na trituradora das notícias referências a ‘problemas’ relacionados – bem diferente seria se fossem só relativos – com a Caritas, uma organização da Igreja católica por onde passa muita da ajuda – assistência, prevenção ou solidariedade – a pessoas em dificuldade…económica, familiar, psicológica, moral ou espiritual.

A ‘notícia’ mais bombástica surgiu nas labaredas da (dita) opinião pública cerca de uma semana antes da designação ‘semana Caritas’ – envolvendo, sobretudo, a sua expressão em Lisboa – e, consequentemente, colidindo com o peditório de rua em todas as dioceses. A emersão do assunto naquela data não foi nem inocente e tão pouco inconsequente. Pelos valores envolvidos e outras questões apensadas deu para perceber que os danos na recolha de donativos estava, desde logo, prejudicada, fossem quais fossem as pessoas que viessem para a rua e onde quer que isso se visualizasse.  

= Um breve aparte: sabemos como certas entidades não conseguem fazer com idênticos meios e valores, algo que se assemelhe àquilo que a Igreja vai conseguindo. Um dia alguém referiu que a Igreja é capaz de fazer com um terço dos valores o que outros tentam com três vezes mais… Ora tais ‘milagres’ não são fruto da sorte nem mera proteção divina – diga-se que se sente e se exercita…fielmente –, mas antes registam-se devido uma boa gestão de proximidade, aliando ao razoável conhecimento das causas em ordem a vencer as consequências. 

= Feita esta ressalva poderemos tentar descortinar alguns dos motivos que terão levado a que certas forças se assanhassem contra a Caritas e um tanto para com a Igreja católica naquilo que ela tem de presença no mundo dos desfavorecidos, marginalizados e até malqueridos no resto do tempo, à exceção da época de eleições… Porque é que uma tal jornalista se abespinhou tanto sobre o assunto – debitando juízos do seu pedestal televisivo – e não fez antes uma reflexão sobre alguém da sua família, que fugiu do país após ter sido acusada de gerir um tal ‘saco-azul’? Será que certas figuras pensam que somos todos desmemoriados e não conseguimos unir as pontas de episódios e situações duvidosas, ontem como hoje? Até onde irá a cumplicidade de argumentos, quando estão em causa assuntos mais sérios do que fait-divers encomendados? Todos precisamos de cultivar a transparência, mas com isso não andemos a gerar momentos translúcidos ao serviço de razões (mais ou menos) subterrâneas… 

= Tentemos enquadrar a obra da Caritas e de tantos outros serviços e movimentos na Igreja católica que concretizam a ‘ação sacerdotal’ de cada cristão pela caridade organizada e vivida como testemunho da Palavra escutada e da liturgia celebrada.

* Assistência – mais que um certo assistencialismo que não dignifica quem o recebe, a capacidade de assistência pode e deve criar sinergias para fazer sair das dificuldades quem pede ajuda e a recebe gratuitamente… Por vezes um pequeno empurrão pode fazer toda a diferença. Quantos casos temos visto, assistido e compartilhado. 

* Prevenção – será pela educação e a valorização dos fatores de tribulação que muitos dos que se aproximam dos serviços sócio-caritativos da Igreja católica, que têm de se distinguir das ações de segurança social ou das redes de ministérios da área do trabalho, que muitos casos poderão e deverão ser resolvidos de forma responsável e não meramente subsidio-dependente… Basta de ter presos pela boca os que precisam de ajuda! * Solidariedade – há quem considere esta como o novo nome da caridade, mas nem sempre isso será tão linear. Com efeito, já os padres da Igreja diziam: não dês aos outros por caridade, aquilo que merecem por justiça! A solidariedade cria novas oportunidades, mas estas não podem ser prolongamento das pretensões de quem o executa. A dignidade das pessoas merece ser respeitada sempre e sem intenções menos claras ou capciosas.

Cremos que não será esta onda de maledicência que fará desmotivar quem serve os outros, porque eles são presença e sinal de Cristo para nós. A recompensa será dada sempre e essencialmente por Deus!

 

António Sílvio Couto



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