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segunda-feira, 27 de março de 2017

A família como rede capilar de difusão do Evangelho


A família é, ou deve ser, como que ‘uma rede capilar de difusão do Evangelho’, fazendo ‘da nossa fé algo integrador e não com alguns momentos para o sagrado’, disse D. José Ornelas, que falava no decorrer da terceira catequese quaresmal, que se realizou numa das casas dos círios no santuário de Nossa Senhora da Atalaia, Montijo, versando o tema – ‘Família: lugar da presença e da revelação de Deus’. 

O Bispo de Setúbal colocou a abrir algumas questões, que foi respondendo ao longo dos cerca de quarenta minutos da sua catequese: Como se vive a fé em família, que lugar tem Deus? Como se vive a fé nas nossas casas? Será que circunscrevemos a expressão da fé ao tempo que passamos na Igreja?

Esta terceira catequese foi desenvolvida em três aspetos: Templo e as casas de Deus; Nazaré – casa da família de Jesus; o casal e a família como sacramento da presença de Deus.

 
= Partindo da explicação das vivências de ‘Templo e de casa’, no sentido bíblico, D. José Ornela percorreu várias figuras (Abraão e Moisés) e situações do povo de Israel (libertação do Egito, instalação na terra prometida e exílio) para tipificar as formas de Deus estar presente com o seu povo, desde a peregrinação pelo deserto até à construção do Templo em Jerusalém e que, após a experiência do exílio, se centra na sinagoga, ‘como a casa da Palavra’, onde se escuta Deus, pois ‘onde se reúnem as pessoas é lá que Deus está’. Para ilustrar as etapas da presença de Deus com o seu povo apresentou, por comparação, os momentos de anúncio de nascimento de João Batista, no templo e o de Jesus, na casa de Maria, em Nazaré.  

= ‘Nazaré é a primeira das casas que acolheu Jesus, aí cresceu Jesus’, considerou o Bispo de Setúbal a abrir a segunda parte da sua catequese. Com efeito, ‘Nazaré é ícone de evolução das nossas famílias’, pois Jesus não centra a sua atenção nos ambientes sagrados, mas ‘entra nas casas’, fazendo com que ‘o encontro com Deus se alargasse aos lugares habituais e da vida de família’. A terminar esta etapa da catequese, D. José salientou que ‘durante quase três séculos a Igreja viveu sem templos’… 

= Na terceira parte da sua catequese o Bispo de Setúbal falou da casa de família como sacramento da presença de Deus. Não podemos permitir que a ‘família seja como que a área do profano por contraste com o sagrado (religioso) na paróquia’, antes têm de ser complementares. Pai e mãe são ‘sacerdotes dentro da casa’, pois são eles que ‘fazem a ponte da vida humana’.

D. José Ornelas realçou também a importância do dever de abençoar, em família, dado que isso ‘transmite o carinho do Pai do Céu em família’, salientando ainda que ‘é importante que a família tenha momentos quotidianos da presença da Palavra de Deus’. Com efeito, ‘ninguém melhor do que os pais podem ensinar a rezar’, pois ‘família onde Cristo está presente, abre-se à dimensão da paróquia e da diocese’. 

Atendendo às anteriores catequeses, percebendo a importância do tema, tentando compreender o significado destas iniciativas para a etapa da vida da nossa diocese, cremos que há aspetos da vida católica que precisam de ser melhor cuidados. Com efeito, se o tema da família é tão essencial, porque faltam tantos responsáveis nestas ocasiões de aprendizagem seja nas linguagens ou das propostas? Não andaremos entretidos com o urgente, esquecendo o fundamental? Até onde irá a humildade capaz de alegrar-se com os dons, qualidades e carismas dos outros? Não teremos olhos menos límpidos uns para com os outros?

Apesar de sermos uma diocese com um número de praticantes reduzido, parece que o leque de abertura aos outros – de dentro e de fora da Igreja – está ainda um tanto afunilado, mesmo entre os casais e outros participantes nas iniciativas…diocesanas. Será que é preciso pertencer a algum grupo específico para ser visto, acolhido e atendido como irmão na mesma fé? Será que, estando no mesmo barco, remamos todos (ou o mais possível) na mesma direção? Não andaremos a confundir os sentidos por onde e para onde queremos ir…em comum?

Lamento que nos falte mais espírito de comunhão entre todos e para com todos e que nem as intempéries sejam capazes de nos desmotivar… ontem como hoje.    

 

António Sílvio Couto



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