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quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Sedução do jihadismo… sobre os jovens


Temos ouvido e nalguns casos vistos grupos de jovens ocidentais que se deixam fascinar pelo jihadismo… essa força de combate de inspiração muçulmana, que luta pela implantação dum ‘estado islâmico’ – por agora no próximo Oriente, mas que pretende restaurar o grande califado na bacia do Mediterrâneo – com implicações na Europa…

Para já têm cometido várias execuções de elementos de países ocidentais ou que participam na contestação às suas pretensões… As notícias que nos chegam são macabras, tendo em conta a agressividade e mesmo os critérios de chacina de uns tantos contra outros (muitos deles cristãos) que não sejam nem aceitem as obrigações em ‘converterem-se’ a ser muçulmano…

- Mas que faz com que tantos rapazes e raparigas – muitos na flor da idade – de países ocidentais a integrem as fileiras das forças jihadistas?

- Donde são provenientes, dentro da cultura ocidental, esses recrutados/as? Não são filhos de ricos?

- Como se explica, de forma razoável, que deixem tudo para se tornarem executores/as de algo que nos repugna?

- Quantos/as serão esses/as que deixam os ‘confortos’ ocidentais e vão lutar até à morte sua e a dos outros?

- Que se passa com os jovens ocidentais e americanos para serem tão anódinos, incolores e acríticos?

= Sinais

Estas e outras questões me têm surgido até por comparação com a decisão de outros rapazes e raparigas que partiram – usamos este tempo verbal com tristeza e inquietação – em missão, levando a mensagem cristã a tantos outros povos, nações e culturas… Lembramos São João de Brito e tantos/as que ainda hoje – podemos vê-lo, sobretudo, nas revistas missionárias – partem em atitude de entrega e de serviço a Jesus pela Igreja… ao menos durante algum tempo das suas vidas.

Não deixa de ser profético que o Papa Francisco tenha convocado o ‘ano da vida consagrada’ neste contexto de fervor jihadista como que contrapondo a dinâmica de jovens que entregam a vida por causas, lutas e ideais em contraste com aquilo que se pode considerar um certo abaixamento de vocações religiosas… Há congregações femininas que estão a fechar por falta de vocações… Não deixa de ser sintomática ainda a mudança de alguns religiosos-padres para a vida pastoral diocesana…

= Desafios

Escrevo esta pequena reflexão em dia de 4.ª feira de Cinzas… com a qual se dá início à Quaresma. Ora, para muitos dos nossos concidadãos que significará a ‘quaresma’? Em tempos não muitos remotos, em França, fizeram um inquérito sobre o que era e o que significava a ‘quaresma’… Para que fosse entendida a questão tiveram de traduzir: é como se fosse o ‘ramadão cristão’. Com efeito, sobre o carnaval quase todos sabem o que se faz, mas, possivelmente, nem sempre se sabe a sua origem. Ora, o carnaval foi feito para a quaresma e não esta para aquele. De facto, para que se vivesse em força a penitência quaresmal houve a necessidade de abrir em folga num tempo anterior à quaresma. Hoje, no entanto, vivemos a folga, mas não vivenciamos a penitência nem o espírito da mesma.

Oxalá – ‘queira Alá’ – conseguíssemos viver um pouco à semelhança dos muçulmanos a força da Quaresma como eles vivem o Ramadão… Não é muito difícil vermos pessoas que fazem dietas e regimes alimentares para emagrecer – pela saúde ou pela estética – mas que regateiam um pouco de sacrifício espiritual, psicológico e físico em ordem a um bom acolhimento da Palavra de Deus, dos gestos de partilha e da comunhão com os que sofrem…só durante quarenta dias!

Estamos todos a precisar de um tempo de maior aflição – queixamo-nos da ‘crise’, mas as viagens e os lugares de diversão estão sempre cheios e são caros! – em ordem a sermos educados na prevenção e na contenção dos exageros da vida atual, bem como dos veludos e cetins com que nos acomodamos. A Quaresma é já uma oportunidade. Vamos aproveitá-la?

 

António Sílvio Couto (asilviocouto@gmail.com)

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