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quarta-feira, 18 de setembro de 2019

Em que trabalham, por regiões, os portugueses?


Se dividirmos o país em hipotéticas ‘regiões’ veremos a distribuição de setores profissionais mais significativos em cada uma delas do seguinte modo: norte – 411 mil na indústria; centro – 246 mil na administração pública; área metropolitana de Lisboa – 432 mil no comércio; Alentejo – noventa mil na administração pública; Algarve – 83 mil no comércio; Madeira e Açores – 38 mil e 45 mil, respetivamente, ainda na administração pública.

O vetor ‘comércio’ inclui comércio retalhista e grossista, transportes, alojamento, alimentação e comunicação. Por seu turno, a ‘administração pública’ envolve as áreas da defesa, da educação, da saúde e do trabalho social. A administração pública com mais de quatrocentos mil ocupados, enquanto o comércio (com a multiplicidade de empregos) com mais de meio milhão de ocupados são as atividades mais representativas das profissões no nosso país.

Segundo um estudo publicado recentemente, pode-se aferir ainda que a zona onde cada um vive – que cada vez mais é diferente daquela onde se nasceu – condiciona a área profissional em que trabalha. Assim, residir ao norte do Douro talvez leve a que se trabalhe na indústria, enquanto quem estiver no Alentejo se incline para a agricultura ou no Algarve para o comércio, alojamento ou restauração… Sempre haverá possíveis e razoáveis exceções.

Ao nível europeu a maior fatia de ocupação cifra-se na administração pública, com um terço dos empregados, seguem-se as atividades relacionadas com o ‘comércio’ (segundo a discrição supra usada) com mais de um quarto das pessoas, enquanto dezasseis por cento se ocupam nas áreas financeira e de seguros, imobiliário, serviços administrativos e de apoio. A agricultura, as florestas e as pescas reduzem-se a serem ocupações quase residuais com menos de cinco por cento dos empregados europeus… Estes mesmos setores profissionais quase atingem dez por cento em Portugal. Por seu turno, na indústria, ao nível europeu, trabalham pouco mais de quinze por cento dos cidadãos. 

= Diante desta panóplia de situações e, tendo, em conta as contingências do nosso tempo, não será fácil de aferir se ainda há alguém que diga qual é a sua profissão, tantas foram as atividades em que já teve de se readaptar a novas e complexas vivências.

Antes de exercer qualquer profissão é preciso ter claro qual é o significado humano do trabalho, pois trabalhar sem sentido de vida poderá parecer uma ofensa à própria dignidade da pessoa humana, seja qual for o modo de o concretizar.

Recordemos o que diz o Catecismo da Igreja católica sobre o valor do trabalho humano: «No trabalho, a pessoa exerce e realiza uma parte das capacidades inscritas em sua natureza. O valor primordial do trabalho está ligado ao próprio homem, que é seu autor e destinatário. O trabalho é para o homem, e não o homem para o trabalho. Cada um deve poder tirar do trabalho os meios de subsistência, para si e para os seus, e a possibilidade de servir a comunidade humana» (n.º 2428).

Que desgraçado seria quem tivesse de trabalhar só para comer. Que infeliz seria quem sentisse que trabalhar é um castigo e não uma forma de realização da própria pessoa. Que tragédia seria que o trabalho de cada dia não fosse visto, sentido e vivido como uma forma de continuar a obra cocriadora com Deus, mas um projeto onde Ele não entra nem conta.

Ora o exercício de uma profissão não passa de alguém ser trabalhador e de colaborar com Deus. Por isso, não há profissões mais ou menos dignas, todas fazem parte do serviço humano de uns aos outros e nem a ‘paga’ do trabalho – chamemos-lhe ‘salário’ – poderá ser considerada uma instância de desdignificação de ninguém e muito menos dos que ganham menos pelo trabalho executado, por vezes, com mais esforço e sentido de entrega altruísta.

Considero uma perfeita aberração esse estribilho marxista de ‘salário igual a trabalho igual’, pois temos de ter em conta a amplitude de repercussões do pagamento de um determinado trabalho, atendendo ao âmbito familiar, de recursos e de compromissos na esfera, sobretudo, da família. A justiça, neste campo concreto do trabalho remunerado, não pode ser cega nem míope para com os direitos e deveres dos cidadãos.

 

António Sílvio Couto

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