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segunda-feira, 16 de julho de 2018

O chilrear dos pardais…humanos


Por esta época do ano é bom de ver, de reparar e de observar na quantidade de pardais que esvoaçam perto de nós: uns mais velhos tentam ensinar os mais tenros a voar; outros mais juvenis iniciam o seu processo de aprendizagem; outros ainda chilreiam anafados, mas à procura de mais alimento…

Se consultarmos alguma fonte de informação veremos que há, essencialmente, duas espécies de pardais: o ‘domesticus’ e o ‘montanus’… ambos de cor acastanhada ou acinzentada e de pequena estatura, sendo uma espécie gregária e podendo formar grandes e significativos bandos.

Não é, no entanto, sobre os pardais-aves que desejamos falar, pois seriam precisas mais lições de ornitologia e isso levaria algum tempo, embora fosse útil para desenvolver a nossa cultura opinativa com ciência melhor fundamentada.

Atendendo a esta analogia fique, desde já claro, que os pardais a que me vou reportar são mais essa passarada que esvoaça, canta, se aninha ou tenta fazer criação lá para os lados do parlamento… e que o recente debate (apelidado) de ‘estado da nação’ deixou à vista muito mais do que pardais ou de que meros ninhos de interesses agora e no futuro próximo… 

* Vejamos algumas das caraterísticas da passarada lá no parlamento: nota-se que há umas visões mais domésticas e outras mais de espírito montanhês; uns apresentam-se com tiques de citadinos e outros mais como ruralistas; uns pretensamente mais instruídos e outros mais na situação naturalista; uns piam e chilreiam notas duma música já requentada, outros anseiam serem autores de letras mas tropeçam na sua execução…

* Com relativa facilidade vamos vendo emergirem candidatos a lugares de altos voos, mas que por agora só esvoaçam de forma tímida e soletrando cantos aprendidos na época da dialética, só que entretanto não se conseguiu elaborar uma nova antítese. É confrangedor ver gente mais nova a guiar-se pelo devocionário marxista de antanho, criando e recriando conceitos assaz exprimidos sem qualquer fruto nem sumo… É preocupante ver pessoas alinhadas por conceitos que já demonstraram que não servem nem valem seja qual for a latitude…vejam-se os frutos na Venezuela, na Coreia do Norte e em tantos outros regimes de ditadura de partido único…

* Os pardais que povoam o parlamento fazem dele uma espécie de para-lamento, tal é o efeito que provoca em que vê as guerrilhas e artimanhas, quem observe os tiques gregários que fazem desses pardais aves de arribação, muito pior de que fossem andorinhas que chegam pela primavera, acasalam, dão fruto e partem… Não é isso que vemos no parlamento: os pardais não descolam, sobretudo se forem alimentados nem que seja pelas migalhas das mesas dos ricos…da UE.

* No espetro politico/partidário representado no parlamento vemos muitos pardais que deambulam dum lado para o outro e nem sempre é fácil detetar quem são nem a quem servem. Por vezes são mais fortes os laços extraparlamentares do que os vínculos entre as bancadas, dizemo-lo dos convénios desportivos e das servidões maçónicas transpessoais… já para não falar das cadeias da ideologia de género…Os pardais desses setores gregários criam, por vezes, mais laços do que os programas pelos quais foram eleitos.

* Agora que caminhamos apressadamente para ir a votos (dentro e fora das agremiações), vemos que muitos destes pardais vão saltitando de posto em posto até ao posicionamento mais favorável e aceitável…Não há como não precisarmos de estar vigilantes, pois não será conveniente que nos tentem enganar mesmo que à socapa.

 

= De muitos outros pardais poderíamos falar, bastará escolher o campo e aplicar a grelha de leitura, pois em tantos dos ‘mundos’ – até nos de âmbito religioso e eclesial – chilreiam pardais à procura de espaço, de lugar de subida e mesmo de posicionamento nas horas de vitória… Cuidemos do nosso lugar em avaliação constante e exigente. Não basta olhar para os outros, precisamos de, através deles, vermos a nossa figura, por vezes também suficientemente, ridícula! Coerência a quanto obrigas…

        

António Sílvio Couto  

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