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segunda-feira, 25 de junho de 2018

Instabilidade emocional…dos dirigentes e não só


O que temos visto, ouvido, sentido e captado em vários factos, acontecimentos e episódios da nossa vida coletiva – na dimensão desportiva/associativa por excelência – é uma fortíssima instabilidade emocional duma grande parte dos dirigentes e não menos expressivamente dos que são por eles conduzidos…O que ontem era considerado posição irreversível, hoje não passa duma nota de rodapé, num texto em branco, pois a escritura nunca teve redação. O que era considerado acerto de posição contra os opositores, hoje parece ser motivo de diálogo, mesmo sem interlocutor. O que há dias parecia ser uma atitude de luta inquebrantável, hoje não passa dum afago no ego dos responsáveis sem linha nem direção…

Estamos, de verdade, numa fase complexa da humanidade, seja qual for o âmbito de intervenção e/ou de decisão. De entre os mais urgentes problemas de alcance geral, o dos refugiados é um dos mais gravosos e quase desumanos. Há países que foram erguidos pela intervenção dos refugiados – nos tempos de antanho eram antes considerados como emigrantes – como os EUA e tantos outros no quadro da cultura (dita) ocidental, que agora se acham no direito de criar obstáculos a que outros povos, menos favorecidos pelos recursos económicos e dos fatores de produção, possam melhorar as suas condições pessoais, familiares e sociais…emigrando com armas, bagagens e filhos.

Por esta ocasião lembro-me dum certo diálogo entre um neto e um avô, em que o mais novo inquiria:

- Avô, porque somos considerados, enquanto portugueses, como um povo que saiu, em tempos recuados, a dar novos mundos ao mundo e agora estamos tão pobres ou mais do que os outros?

Ao que o avô respondeu:

- Sabes, neto, nós somos descendentes daqueles que ficaram…

Sim, uma longa e incontrolável lista de cidadãos deste país vive (ou vai sobrevivendo) dos proventos antes trabalhados e agora pouco ou nada acrescentam ao já feito e até sem interesse pelo que outros possam conquistar…e fazer melhor. 

= É notório que nos faltam líderes capazes de nos conduzirem com serenidade e prudente ousadia, isto é, sabendo quando podem propor caminhos que fazem andar sem ser preciso desviar-se dos obstáculos e dentro duma dinâmica que possa empenhar o maior número possível de concidadãos. Tais responsáveis/dirigentes teriam horizontes alargados e não pequenas metas para a sua autopromoção.

Ao desnorte de tantos dos que estão investidos em poder – seja em razão das votações, seja pelas artimanhas mais ou menos subtis – falta-lhes nitidamente autoridade, essa qualidade que se adquire em função daquilo que se é e muito para além do que se diz. De facto, a incongruência entre a palavra e a ação é uma espécie de erro muito comum naqueles/as que exercem funções de governança…seja qual for a instância em que se possam encontrar. Pior será ainda se tais pessoas forem desequilibradas emocionalmente, na medida em que possam confundir os seus gostos mesquinhos com os objetivos da corporação à qual dirigem ou presidem… Isto temos visto nos últimos tempos de forma abundante em que certas agremiações desportivas, culturais e sociopolíticas…dentro e fora de portas.  

= A crise do dirigismo tem servido para emergirem pequenos ditadores, que até conseguem cativar para o seu projeto pessoas mais ou menos credíveis. No entanto, quando lhe sobe a importância ao testo facilmente deixam transparecer quem são e o que pretendem, apesar de já terem feito estragos quase irremediáveis. Não estamos infelizmente livres de sermos conduzidos por alguns desses ‘democratas’ de laboratório ou de feira. Será preciso estarmos muito atentos para que não se apeguem ao poder, destronando-os logo que seja possível e não deixando que lancem tentáculos quase invisíveis. A desmotivação e o deixar andar podem ser as armas mais comuns para que tais ditadores se considerem imprescindíveis e armadilhem os espaços em que se movem. Já temos exemplos mais do que suficientes para que estejamos em alerta permanente.

No quadro nos nossos relacionamentos precisamos de estar em contínua avaliação emocional – mais do que intelectual – dos nossos dirigentes, responsáveis e chefes, colocando-os e colocando-nos em apreciação para que não se tornem nem nos tornemos isso que contestamos nos outros… Equilíbrio, precisa-se sempre!     

 

António Sílvio Couto  


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