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quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Aprender a ser poupado


Segundo dados revelados nos últimos dias, os portugueses estão cada vez menos a poupar. A fazer fé naquilo que foi publicado, no segundo semestre deste ano, a taxa de poupança cifrou-se em 3,5%, atendendo ao que cada um ganha e àquilo que consegue aferrolhar.

Ora, há vinte anos atrás nós – no geral da população – conseguíamos poupar na ordem de 12,5% do rendimento auferido. Quais são, então, as razões deste fenómeno de andarmos a gastar mais…mesmo sem ter? Porque entramos nesta espécie de euforia de ‘chapa-ganha, chapa-gasta’? Que terá havido de tão significativo para vermos as pessoas a pensarem cada vez menos no futuro…como acontecia em tempos não muito recuados? Será que a apologia do consumo – sobretudo no último ano – terá contribuído para esta vivência social de não-poupança? Estaremos a lançar as bases para uma crise mais profunda – a médio e a longo prazo – do que a crise económica do após-2008? Será possível encontrarmos receitas mais ou menos aceitáveis para modificarmos este estado da sociedade? De entre as possíveis soluções qual será aquela que se pode ajustar melhor à situação pessoal e familiar de cada um de nós? 

Recentemente encontrei uma razoável lista de sugestões – com mais de duas dezenas – num órgão de comunicação. Vamos respigar algumas, acrescentando outras questões e alevantando outros assuntos atinentes ao caso e similares na conjugação das matérias em apreço.

Eis a lista para uma cultura de poupança:

- Elaborar um orçamento mensal, onde possam ser incluídas as despesas correntes e as fixas anuais;

- Prever um certo montante para despesas imprevistas e gastos extraordinários;

- Tentar ter um fundo de maneio que consiga fazer frente a pelo menos de três a seis meses de dificuldades;

- Ir construindo um pequeno saldo para a época dos presentes, como no Natal e nos aniversários;

- Estar atento às promoções e aos descontos, tanto dos bens alimentares como do combustível…atendendo a que de manhã ou ao final do dia a gasolina fica mais densa, conseguindo, assim, comprar mais por menos;

- Na lista das compras tentar fugir das escolhas por impulso… tendo em conta os lugares estratégicos das grandes superfícies, que nos podem apanhar desprevenidos;

- Preferir o tomar banho de duche, o que pode poupar até oitenta mil litros de água por ano;

- Na lavagem dos dentes fechar a torneira durante a escovagem, o que pode poupar até dez litros anualmente;

- Vigiar sobre os valores de seguros da casa, do carro, de vida e de saúde, pois há mudanças e atualizações contínuas;

- Estar em atenção às diferentes taxas de telemóvel, de internet, de televisão e de telefone fixo… pois muita coisa muda rapidamente. 

Por certo que há milhentos estratagemas para vivermos num sistema de poupança. Arriscado será se nos limitarmos a tentar implementar um regime de poupança. Comparando: é diferente uma pessoa viver sob um sistema de alimentação para cuidar da saúde do que submeter-se a uma espécie de regime de emagrecimento que pode ter alguns efeitos mais ou menos imediatos, mas que não educa para ter uma saúde compatível com o necessário.

Deste modo é fundamental que se reaprenda a viver na poupança, pois as tão difundidas benesses do ‘estado social’ têm vindo a servir para enganar quem viva gastando tudo (e mais) aquilo que ganha. É urgente denunciar os artífices da mentira, que nos vieram dizer que o consumo fará com que as pessoas vivam melhor, pois se não tiverem algo de reserva com facilidade poderão cair no logro de que o que ganham as sustenta… Isto é pura mentira, sobretudo se as pessoas viverem só dos seus ordenados, dado que poderão receber mais, mas serão aliciadas para gastarem ainda muito mais…

É diante deste capitalismo encapotado que temos de dizer que há gente neste país que diz ter intentos sociais – alguns até a coberto das ações socio-caritativas da Igreja católica – mas que não deixarão mais do que um rasto de miséria, pois enganaram as pessoas, fazendo-lhes crer que no gastar é que está o ganho, pois deveria ser, com humildade e verdade, ao poupar no presente poderemos cuidar do futuro. O resto é patranha! 

 

António Sílvio Couto 

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