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quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Rebeubeu, pardais ao ninho!

Esta expressão – ‘rebeubeu, pardais ao ninho’ – significa, em linguagem de frases idiomáticas, um grande alvoroço… mesmo que sem grande resultado, e, como os pardais, com muito chilrear e esvoaçar… à volta do ninho. Este adágio foi ainda título de um programa radiofónico na década de 80, sendo usada para exprimir a caraterização de algo ou alguém que faz muito barulho, mas cujo proveito não é grande coisa… nem para o próprio e muito menos para os outros!
= Neste tempo de silly season – isto é, época sem grandes notícias…em que as poucas que há são empoladas – o tema do aumento do IMI (imposto municipal sobre imóveis) parece configurar um bom exemplo da expressão: rebeubeu, pardais ao ninho! Com efeito, há coisas que, por serem um tanto caricatas, quase se tornam ridículas, como por exemplo: o custo da taxa pela exposição ao sol… Até há pouco tempo pensava-se que o sol ainda era gratuito, mas com estas ‘inovações’ fiscais ficamos a perceber que não é (nem vai ser) bem como tem sido até agora!
Numa espécie de jogada – a fórmula foi a de decreto do governo – o assunto do IMI não passou pelo parlamento, pois aí a geringonça tinha (tem) de se pronunciar e ver-se-ia, afinal, quem é amigo do povo ou quem enche a boca com a sua defesa, mas, na hora da verdade, alinha pela capitalização das autarquias e pela carga de impostos, o que quer significar austeridade ao menos para alguns…
Não será possível que, quem legisla, se aperceba das interpretações a que podem ser sujeitos? Não haverá capacidade de autocrítica para perceberem que nem tudo vale, mesmo que se possa quase tudo poder?
Já só falta criarem uma nova ordem de avaliação em impostos onde os mais altos em estatura – porque mais expostos ao sol e com melhor vista/visão – podem ser submetidos a outras taxas que os mais pequenos não conseguem por medirem menos na sua corporalidade!
Noutros países a massa corpórea (peso) já conta na hora de elaboração de contratos de seguros de saúde… Em breve estaremos sujeitos a certas arbitrariedades de quem quer ganhar dinheiro a todo o custo!  
= Vivemos num tempo em que esperteza duns tantos quase se esquece da inteligência dos outros. Com efeito, há argumentos que, quando usados, se invertidos, podem ser a desgraça de quem os utilizou. Será que as pessoas não cuidam de ver todas (e muitas mais) as implicações daquilo que dizem ou acusam nos seus adversários?
Neste afã de querer mostrar serviço, há situações que precisam de ser muito melhor calculadas, pois, na maior parte dos casos, encontramos episódios que, de tão caricatos, se podem tornar reveladores da ignorância de quem, tendo responsabilidade pública e decisória, precisa de ser mais ponderado, astuto e sério, tanto nas palavras como nos atos. 
= Já passaram umas décadas – meados dos anos 80 – quando surgiu uma publicação intitulada: …com paredes de vidro! Nesse ensaio literário, o chefe ao tempo procurava explicar certas objeções e refutar outras tantas acusações… em ordem a cativar novos simpatizantes e aderentes. Só que, ao final dessa mesma década, caiu o ‘muro de Berlim’ (1989) e os argumentos, então aduzidos, ruíram com facilidade… pelo menos para quem não perfilava tal ideologia.
Ao vermos as atitudes de certas figuras atualmente como que sentimos que há pessoas que não conseguiram interpretar os factos históricos do seu passado nem os do nosso presente coletivo. Fixaram-se numa leitura histórica tão envelhecida que, por muito que lhes tentem dizer outra coisas, ainda estão ancorados em clichés sociais e em muitas outras vivências ultrapassadas pela evolução histórica, social, económica e cultural. 
= ‘Rebeubeu, pardais ao ninho’… neste país à beira-mar plantado, em que é quase confrangedor vermos como nos querem entreter com questões de lana-caprina, distraindo-nos do essencial e levando-nos a perder tempo com futilidades feitas de acontecimentos… ocos, virtuais e vazios!   


António Sílvio Couto 



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