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quinta-feira, 18 de agosto de 2016

A patranha está de volta!


Foi anunciado: vai ser lançado um denominado programa ‘qualifica’, ao que parece uma espécie de recauchutagem das ‘novas oportunidades’ dum governo socialista anterior…

De entre as várias considerações para tal programa incluem-se a tentativa de certificar uma espécie de processo de formação – uns dizem que de adultos sem a escolaridade mínima, outros já falam em dar emprego a professores excedentários – aumentando os ‘centros de formação’ até três centenas, gastando mais de cinquenta milhões de euros, usando a formação dada (já) por algumas escolas e (ditos) centros de formação profissional, tentando dar validação de competências e reconhecimento do que já é feito… Numa palavra: quer-se (pretensamente) qualificar adultos para programas de estatística e gastando dinheiro que está disponível pela União Europeia… 

= Quem possa ter visto referências às ‘novas oportunidades’ foi como que patente um resvalar para a mera propaganda, onde uma grande parte das pessoas foi usada para fins (eminentemente) partidários. Dizem que de cerca de um milhão de inscritos – ao tempo – mais de 400 mil adultos obtiveram certificação escolar no âmbito daquele programa, em 2005, dando-lhes equivalência ao nível do ensino básico ou secundário… A duração, em média dos (ditos) cursos foi entre cinco e dez meses, tendo por base a experiência de vida – umas vezes profissional, outras de desemprego e tantas outras de nítido compadrio – dos candidatos. 

= Há fontes de informação – não se sabe com que verdadeira origem, embora se possa colocar uma certa e fundamentada suspeita – que dizem que 55% da população portuguesa adulta não tenha completado o ensino secundário… Atendendo às intenções governamentais tais circunstâncias condicionam ‘o potencial de crescimento, de inovação e de produtividade do país’, criando ainda dificuldades – segundo as mesmas fontes – à ‘participação e à progressão destas pessoas no mercado de trabalho’!... Aqui se incluem ainda os que, em idade escolar, abandonaram a frequência letiva em ordem à escolaridade obrigatória. 

= Se atendermos aos apresentadores públicos do recente ‘programa qualifica’, vemos que ambos são da margem sul do Tejo, com ramificações a outros governantes e como que fazendo-se patrocinadores de algo que não condiz com a valorização daqueles a quem se destina o dito programa. Pelo contrário, parece que isto foi urdido para tentar empregar mais professores do que para valorizar ‘estudantes’, tendo em conta que até querem dar uma espécie de ‘passaporte qualifica’, onde se insere mais uma lógica de curriculum do que certificado de estudos avaliados, feitos e sérios… 

= Este é mais um ato de reverter, tentando dar a sensação de que se está a fazer algo pelo povo mais desfavorecido. Ora, tal iniciativa parece antes servir a certos infantes em etapa de prestação de provas, dando aos seniores da cúpula a possibilidade de colher os louros ou, se falharem, de serem empurrados para fora da corrida, tendo em conta se o programa não verifique alguma procura ou grande aceitação. Com efeito, o quase meio milhão de jovens ‘nem-nem’ – isto é, nem estudam nem trabalham – como que podem ser campo de recrutamento para este programa… desde que ele possa servir os intentos de quem se propõe prolongar a validade da geringonça por mais alguns meses… mesmo que à custa de proventos vindos da UE. 

= Com tudo quanto temos vindo a viver nos tempos mais recentes e que poderemos ainda vivenciar a curto e médio prazo, consideramos que este ‘programa qualifica’ pode ser mais uma patranha de engano e de falsidade de quem nos vem governando. Com efeito, não é com soluções de facilitismo que iremos credibilizar o país e os mais novos. Não será com a recuperação de falhanços doutros tempos que iremos construir algo de sério e sensato. Não será com diplomas a pataco que iremos dar cultura a quem não lê, não escreve, não pensa e tão pouco tem opinião própria e fundamentada com argumentos racionais e não meramente emocionais…

Portugal merece melhor. Assim o decidamos com verdade e ousadia, brevemente!

 

António Sílvio Couto

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