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terça-feira, 14 de junho de 2016

Nova vaga de frenologia…à portuguesa?


Frenologia foi uma ‘ciência’ que pretendia ser capaz de determinar o caráter, as caraterísticas de personalidade e até algum grau de criminalidade pela forma da cabeça.

Teve grande importância no século XIX, mas que agora está desacreditada e considerada uma pseudociência. Em certos momentos da história até serviu para decretar uma espécie de eugenia, isto é, da seleção dos melhores para a purificação da raça.

Os princípios da frenologia eram que o cérebro é o órgão da mente e essa mente teria um jogo de diferentes faculdades mentais e de comportamento, sendo que cada sentido em particular tem a sua representação numa parte diferente do cérebro… 

= Por ocasião da primeira república, em Portugal, houve tentativas duma espécie de frenologia, colocando sob suspeita, a partir da medida da cabeça e da respetiva análise, os que a tal pretenso método eram submetidos. Não foram só os doentes do foro psiquiátrico que tiveram esse tratamento, mas também alguns setores religiosos como que tiveram de estar mais ou menos sob inquérito… sendo colocados muitos deles numa quase subalternização e menosprezo.

Nem sempre se fala da condução desta ‘ciência’ como eivada com propósitos menos humanos, mas, pelas leituras da história do século passado, podemos ver muita mais gente do que parece a alicerçar as suas motivações sociais pela frenologia tácita ou declarada. Vejamos os vários ‘ismos’ a que estivemos submetidos em vários momentos e partes da Europa. Não terão sido tentativas – mesmo que capciosas – de colocar em prática o acento nas leituras de caráter e de personalidade eivadas de preconceito ideológico… desde que fosse diferente de quem reinava? Porventura os sinais de perseguição em certas matérias não poderão andar associados a uma certa frenologia mais ou menos incipiente? 

= Agora que estamos na terceira república parece que têm vindo a ser ressuscitados certos fantasmas que vigoraram na primeira república. Atendamos, mesmo que de forma breve, ao que temos visto na área da educação nos tempos mais recentes. Parece que, quem não seja pela escola estatal, tem de ser submetido a algum exame de teor patológico, pois não será de igual inteligência com quem seja acérrimo defensor da dita estatização do ensino/aprendizagem. Parece que pouco mais falta de que venham medir a cabeça – caraterísticas, aptidões ou personalidade – dos que não tenham sido formados exclusivamente pela ‘escola pública’…

Dá até a impressão que certos gurus da primeira república – estudiosos, historiadores e militantes de forças antirreligiosas – que influenciam o pensamento dalguns governantes estão a marcar o ritmo de quem depois decide. Dá a impressão que algum eugenismo intelectual perpassa pela programação dos estudos nas escolas básicas e secundárias. Nota-se uma tentativa de condicionar – para já de forma económica – a liberdade de ensino e de escolha que os pais possam ter para com os seus filhos, pois estes são como que nacionalizados na forma e, em breve, no conteúdo. 

= Perante tais sinais urge, antes de mais, denunciar as tentativas com querer reduzir ao silencia os que pensam de forma diferente e que não seguem pela mesma cartilha… maioritária. É preciso refletir com maior consistência sobre as razões da nossa liberdade e não tanto andarmos a reagir só quando nos atingem ou atacam… mesmo que de soslaio.

Porque há valores que são inegociáveis, temos de unir-nos para que não se ande ao sabor dos ditames de maiorias políticas circunstanciais. Porque não é com chavões ou frases-feitas que se resolvem os problemas essenciais, precisamos de saber com quem contamos não só na hora da vitória, mas também nos momentos de insucesso.      

Algum otimismo é bom e salutar, mas continuar a insistir nele como ilusão, só engana o próprio e os outros… E de mentiras já estamos todos mais do que cheios. Queira Deus que saibamos aprender com as lições do passado!   

António Sílvio Couto




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