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segunda-feira, 19 de maio de 2014

Cultura do encontro: ouvir e aprender


«A cultura do encontro requer que estejamos dispostos não só a dar, mas também a receber dos outros. Os mass-media podem ajudar-nos nisso, especialmente nos nossos dias em que as redes da comunicação humana atingiram progressos sem precedentes. Particularmente a internet pode oferecer maiores possibilidades de encontro e de solidariedade entre todos; e isto é uma coisa boa, é dom de Deus» - diz o Papa Francisco na mensagem para o 48.º dia mundial das comunicações sociais, intitulada: ‘Comunicação ao serviço de uma autêntica cultura do encontro’, que se celebra no dia 1 de junho.

Partindo de algumas frases da mensagem papal, apresentamos pequenos subsídios para leitura do texto.

= Da velocidade da informação à recuperação do sentido da escuta

«A velocidade da informação supera a nossa capacidade de reflexão e discernimento e não permite uma expressão equilibrada e correta de si mesmo… Devemos recuperar um certo sentido de pausa e de calma. Isto requer tempo e capacidade de fazer silêncio para escutar. Temos necessidade também de ser pacientes, se quisermos compreender aqueles que são diferentes de nós».

Urge aprender a não ter medo do silêncio, pois este também é (ou deve ser) linguagem de escuta. Não podemos continuar a sobrepor palavras e imagens que confundem a mensagem…mesmo a do Evangelho. Mais do que palavras e fatos este é uma Pessoa, a de Jesus de Nazaré.

= Quem comunica faz-se próximo

«Como pode a comunicação estar ao serviço de uma autêntica cultura do encontro? (…) Como se manifesta a ‘proximidade’ no uso dos meios de comunicação e no novo ambiente criado pelas tecnologias digitais? Encontro resposta na parábola do bom samaritano, que é também uma parábola do comunicador. Na verdade, quem comunica faz-se próximo… trata-se da minha capacidade de me fazer semelhante ao outro».

Quantas vezes sabemos tantas coisas ao longe e desconhecemos o que se passa ao pé de nós! Quantas vezes nos distanciamos dos que estão mesmo junto a nós! Quantas vezes, sob a capa duma aparente neutralidade, se cria uma máscara de indiferença! Quantas vezes podemos camuflar um certo desprezo com a falta de envolvimento de uns para com os outros!

= Igreja acidentada, comunicativa e missionária

«Entre uma Igreja que sai pela estrada e uma Igreja doente de autorreferencialidade, não hesito em preferir a primeira (…) Somos chamados a testemunhar uma Igreja que seja casa de todos. Seremos nós capazes de comunicar o rosto duma Igreja assim? A comunicação concorre para dar forma à vocação missionária de toda a Igreja, e as redes sociais são, hoje, um dos lugares onde viver esta vocação missionária de redescobrir a beleza da fé, a beleza do encontro com Cristo».

É verdade que a comunicação se faz agora, essencialmente, em rede e não de uma forma unívoca e do púlpito unidirecional. O próprio cartaz alusivo ao dia mundial das comunicações se intitula: uma rede de pessoas!

= Dialogar faz aprender e a caminhar com os outros

«É preciso saber inserir-se no diálogo com os homens e as mulheres de hoje, para compreender os seus anseios, dúvidas, esperanças e oferecer-lhes o Evangelho, isto é, Jesus Cristo. (…) Dialogar significa estar convencido de que o outro tem algo de bom para dizer, dar espaço ao seu ponto de vista, às suas propostas. Dialogar não significa renunciar às próprias ideias e tradições, mas à pretensão de que sejam únicas e absolutas».

Depois de um certo dogmatismo (dito) religioso não podemos cair na absolutização relativista, onde cada um se sente dono da verdade… desde que seja a dele ou do seu grupo, se o tem! Somos cidadãos de uma nova galáxia, onde o ambiente digital é ferramenta e não pode ser confundido com a mensagem. Mesmo aqui o Evangelho continua a precisar de anunciadores credíveis porque fiáveis em Cristo e pela Igreja.
 

António Sílvio Couto

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