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terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Novos talheres…


Foi notícia, por estes dias: o Estado português (concretamente através do ministério dos negócios estrangeiros) gastou, no último mês, mais de cem mil euros na aquisição de talheres e copos… Dizem ainda que, nos seis meses anteriores (envolvendo mesmo o governo anterior), foram gastos até trezentos mil euros em idênticos apetrechos, tais como pratos, cálices e faqueiros…de marca e com registo gravado.

= Embora consideremos que, de vez em quando, é preciso renovar a baixela, não sei se este era o momento mais adequado… ou até a forma de o concretizar. Quando tantas pessoas não têm o suficiente para se alimentarem, era necessário investir aqueles montantes em coisas tão caras? Quando dizem que a austeridade deixou marcas nas famílias, como poderemos entender este esbanjamento em coisas deste teor? Quando querem fazer crer que estamos melhor das economias e se preparam para contestar as exigências dos credores, como poderão estes levar-nos a sério se virem que não somos capazes de disfarçar um tal novo-riquismo falido?

= Nota-se em certas pessoas que estão, por agora, investidas em governo – seja qual for a instância – que, quando se sentem com uns trocos a mais, não conseguem poupar, gastando o excesso na primeira guloseima que lhes for oferecida. Será este o nível de consumo com que nos vão conduzir nos tempos próximos? Será com enganos de estar tudo ultrapassado que nos iremos recuperar da falência familiar e coletiva? Não será este indício de gastar em talheres o que (nos) pode fazer falta em comida, um retrato da maioria da nossa população, tipificada no gasta-se enquanto há e depois anda-se a mendigar para o essencial?

= Se isto – dar, esbanjando – é uma amostra do pretenso ‘estado social’ e das ‘opções sociais de esquerda’, então teremos de fazer uma urgente reeducação de tudo e de todos, pois tal atitude manifesta, pelo contrário, falta de senso e de desprezo dos outros. Não podemos exigir aos outros aquilo que nos compete fazer, cuidando da responsabilidade pessoal e do assumir as consequências de si e dos seus atos. Como poderemos acreditar em quem gere mal o dinheiro – com as influências, as pressões e tudo o resto – próprio, como será capaz de gerir bem o alheio?

= Neste episódio, como em casos idênticos, estamos perante um de dois tipos de pessoas: umas que sempre tiveram tudo e dinheiro foi coisa que não faltou e, por isso, gastar mais ou menos depende dos humores…na medida em que não custou a ganhar também não custa a gastar; ou de outro tipo de pessoas que passaram por grandes dificuldades, nalgumas situações como self-made-man, e que agora como que pretendem esquecer as dificuldades vividas e vão dando aso à supressão de compensações minimamente aceitáveis, embora gastando o que é dos outros… sem prestar, devidamente, contas.  

= À guisa de provocação refira-se a reposição de subvenções de políticos – anteriormente rejeitadas – tomada pelo tribunal constitucional, que respondeu a uma consulta de um (até agora) grupo de deputados não identificado! Será isto sério? Estarão os juízes a acautelar o seu próprio futuro? A quem servem estas subtilezas? Quem vai pagar a estes ‘reformados’ (alguns com menos de 40 anos) de luxo? 

Não custa nada a crer, pelo andar deste tempo de governo, que, em menos de um ano, teremos nova intervenção de credores externos, pois já vimos este filme há bem pouco tempo e o final costuma ser o mesmo: o povo que pague a crise… Só que, nesse momento, as feridas ainda estarão a sangrar!

Basta de mentira e de vendedores de ilusões… Não devem ser só as eleições a forma de castigar os incompetentes: os tribunais precisam de atuar de forma mais rápida e muito mais dura!

Por agora foram os talheres… amanhã será o quê?
            

António Sílvio Couto

(antonioscoutosilva@gmail.com)


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