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quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Sinais de descomunhão… humana, política e eclesial



Temos estado – na dinâmica dominical da liturgia católica – a escutar, a refletir e a tentar viver textos que nos apontam para a necessidade de vivermos num esforço de comunhão nos mais diversos aspetos da nossa vida: humana e social, política e cultural, cristã e eclesial.
Há, no entanto, múltiplos sinais de descomunhão, uns mais visíveis e outros tantos tão subtis que será preciso fazer uma introspeção para os percebermos em nós mesmos e para os captarmos, sinceramente, nos outros…e, sobretudo, como ajuda à nossa própria correção.
Porque o assunto é um tanto delicado colocaremos mais perguntas do que faremos afirmações… embora estas possam estar – mesmo que de forma implícita – contidas naquelas…

= Na vida humana e social: ao viverem as pessoas – familiares ou vizinhos – na desconfiança e na provocação, não será isso um sinal de descomunhão? Quando as pessoas atribuem mais valor ‘ao disse-disse’ nas costas dos visados do que à conversa frente-a-frente, não será já isto um modo recorrente de descomunhão? Quando se difama sem olhar a meios, não será isto mais uma forma de descomunhão? Quando se privilegia a preguiça, sonegando informações às autoridades (seja qual for a instância ou presença) para continuar a receber o subsídio ou outra comparticipação social, não será mais isto uma forma capciosa de descomunhão?

= Nas coisas da política e na dimensão cultural: ao apresentar cartazes de propaganda com informações incorretas e abusivas, não será tal comportamento uma forma de descomunhão no presente, sobre o passado e para com o futuro? Quando as pessoas defendem posições só porque são fornecidas pelos seus simpatizantes e correligionários, não estaremos a fomentar a descomunhão entre cidadãos? Quando se fazem contratos de espetáculos tendo em conta mais a coloração partidária do que a qualidade artística, não estaremos a criar descomunhão e mesmo desonestidade intelectual? Quando os números – por exemplo do desemprego – não coincidem com as pretensões partidárias e ideológicas, tentando com isso como que manipular o público, não estaremos a cultivar a descomunhão, criando falsidades, revolta e divisões? Quando a informação – até mesmo no campo do desporto – só apresenta ou faz ouvir uma das partes (particularmente a que nos possa ser mais favorável clubisticamente), não será isso mais um tentáculo de descomunhão para o descrédito nos informados?

= Nas dimensões religiosas (cristãs ou outras) e, sobretudo, na vertente eclesial: muitos dos gestos da nova convivência (direta ou indireta) serão de comunhão ou de descomunhão? Quando se troca de paróquia pela simples razão de que não se quer ver nem conviver com quem nos pode ter magoado, não será isto um sinal de descomunhão mais ou menos inconsciente? De que adiantará ir ‘comungar’ (na missa sob a forma de pão consagrado) numa assembleia de anónimos, se isso se deve a um certo orgulho mal digerido, não será essa ‘comunhão’ um quase sacrilégio de descomunhão contra Deus e para com os (possíveis) irmãos? Quando podemos andar a engordar com religião quem mal foi evangelizado, não andaremos a favorecer a descomunhão, mesmo que sob a capa de religiosidade envernizada? Por entre as múltiplas formas de movimentos e/ou de ações ‘apostólicas’, não será que quase se faz da descomunhão uma construção mais de capelas fechadas e não como Igreja com dimensão católica? Será que as congregações, institutos ou até ordens religiosas vivem em si a comunhão ou – como parece sentir-se – serão antes focos de descomunhão…embora dizendo servir o mesmo Deus e o seu povo?

Tal como referimos no início desta partilha/reflexão, as perguntas não são abstratas, mas têm alguma base de contato com a vida e não pretendemos sequer questionar ninguém, mas antes alertar para pequenos sinais de descomunhão…Porque muitas coisas há a corrigir, tendo em conta a força do Evangelho, deixamos estas preocupações…mais para o futuro do que julgando o passado!          

António Sílvio Couto

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