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quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Pelos mundos da fantasia!



Não é só em certas épocas do ano (Natal, carnaval, romarias e festas) que a ‘fantasia’ tem lugar de honra. Há pessoas que vivem em fantasia de forma quase permanente… Se há fantasias que são convenientes e saudáveis, corretas e aceitáveis; outras há que são perniciosas e, nalguns casos, pecaminosas… atendendo a que podem ofender a dignidade da própria pessoa e/ou a honradez dos outros.

Muitas das fantasias funcionam como se fossem uma projeção do mundo interior do sujeito e que falam mais pelo que dão a entender do que por aquilo que é dito, é feito ou mesmo é manifestado… direta ou inconscientemente.

Quantas versões de poesia manifestam o mundo de fantasia com que o autor reveste a sua linguagem para que tentem descobrir o que ele nos queria dizer! Quantos romances e estórias devem ser vistos e interpretados como fantasias com alguma qualidade, que fazem com que quem lê entre na dinâmica de novas fantasias! Quantas vidas – de sucesso ou de insucesso – são resultado da concretização (ou não) de fantasias mais ou menos assumidas e concretizadas!

Sem pretender provocar nem desvirtuar esta pequena reflexão, a nossa vida não será, na maior parte dos casos, resultado dalguma fantasia – no espetro dessas que consideramos saudáveis – e que movem (ou pelas quais movemos) a nossa vida atual e futura?

= Purificação (necessária) das ‘fantasias’

Do trato que vamos tendo com várias e diversificadas pessoas podemos aprender que cada um e cada uma são um imenso mistério… onde muitas das fantasias se misturam com vivências mais ou menos bem conseguidas e em que certas fantasias revestem alguma faceta de misterioso e muito do mistério (positivo e divino) de cada qual só se entende no quadro das fantasias… muitas delas enraizadas no tempo da infância e da adolescência.

A questão central deste problema será saber lidar como com os modelos de fantasia – heróis, ídolos ou influências enfatizados – e os valores que transmitem, pois, na sua maior parte, estão eivados de protótipos de índole materialista e hedonista… como se a vida fosse (ou pudesse ser) sempre daquele modo. A acrescentar a tudo isso teremos de saber quem são os adultos educadores – pais, professores e outras influências dadas e recebidas – que podem ajudar a valorizar ou a desmistificar tais fantasias e a colocá-las na devida proporção educativa. Desgraçadamente os pais, em todo este processo, são como que o elo mais fraco de toda uma cadeia de fantasias… sobretudo se virmos a família como a escola de maior influência inconsciente do nosso comportamento cívico, cultural e religioso.

= Do psicologismo à dimensão espiritual… das fantasias

Atendendo à análise de certos comportamentos, poderemos considerar que numa vaga de espiritualidades – muitas delas fora do quadro cristão e muito menos na aceitação do ser católico – pode ser que tenhamos, hoje, pessoas pretensamente boas, no seu conceito mais ou menos amoral, mas que podem viver em luta – se dela se aperceberem, de verdade – com fantasias quase imorais. Com que facilidade se fala de tudo e de todos sem respeito nem educação! Com que vulgaridade se emitem juízos de valor sobre pessoas expostas ao serviço dos outros! Com que leviandade se fazem acusações (explícitas ou presumidas) sem ter em conta a função ou mesmo o ministério eclesial!

De facto, como dizia Santa Teresa de Ávila, a imaginação é a ‘louca da casa’ e a fantasia poderá ser a mordoma de serviço, onde muito se pode efabular e quase nada provar… embora nos venha provocar!

Urge, por isso, saber educar para a cristianização da fantasia, ou poderemos ter surpresas, a começar pelas pessoas que nos possam ser mais próximas, pois, muitas vezes, o quadro de leitura pode estar desarticulado entre a cabeça e a emotividade…nem sempre tocada pela força de Deus, na humildade do Espírito Santo. Assim, se podem compreender certas rebeldias, quando se pretende ajudar a ser sensato e equilibrado nestas coisas em que o mundo sabe como nos pode explorar… sem disso nos darmos, logo, conta. Prudência, a quanto obrigas!

          

António Sílvio Couto

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