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sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Quem tem medo do ’25 de novembro’?


Dentro de dias completam-se quarenta anos sobre os acontecimentos do ’25 de novembro de 1975’, essa data que trouxe alguma serenidade ao nosso país… pelo menos a uma porção de portugueses que não se revia nos exageros duma outra fação mais revolucionária… Nessa data foi posto termo, como que duma forma mais organizada, ao processo-revolucionário-em-curso, que, sobretudo, nos arredores da capital – com a (dita) margem sul associada – foi criando condições de instabilidade… internas e exteriores.

= Atendendo ao momento político, que estamos a viver com incidências de alguma crispação à mistura com uma certa jactância de forças àquela data (mais ou menos) reinantes, houve uma proposta, no Parlamento, para que fosse comemorada, de forma evocativa, a data do ’25 de novembro’ mais explicitamente.

Uns consideraram que isso permitiria trazer à liça os perigos do tempo presente ou no próximo futuro, lembrando façanhas daquele passado. Outros, temendo a repercussão na (pretensa) opinião pública, vão-se refugiando na ausência e escusa às reuniões para que o assunto seja tratado. Houve até – pasme-se a linguagem e o conteúdo – quem considera-se que tal evocação poderia ser uma espécie de jogatana política…

= Quarenta anos depois ainda há muitas feridas por sarar. Tantos anos e acontecimentos passados ainda se nota um certo ressabiamento de certas ideologias…no espectro partidário atual. Decorrido tanto tempo fervilha ainda um tal espírito de revanchismo para com os adversários, seja qual for a trincheira em que se coloque cada qual. Percebe-se que certos fantasmas ressuscitam com muita facilidade e fazem com que os ataques e diatribes se convertam em atoardas de mau gosto, senão mesmo de má educação.

= Será que estas pessoas, que ainda andam nesta política, não perceberam que o povo português tem memória e não vai mais continuar a ser guiado por mentores e fautores cujo principal interesse parece ser a sua autopromoção. As lições desse passado podem e devem servir-nos para compreendermos que as vitórias – mesmo que pírricas – depressa se convertem em derrotas e que os vencedores de ontem serão os vencidos e enxovalhados de amanhã. Já era tempo de aprendermos todos a sermos pessoas que respeitam os outros e que não é preciso ofender para ter razão, pois esta bem depressa se converterá em desilusão e conflito.

= Possivelmente o ’25 de novembro’ até conseguiu recompor alguns (ou muitos) exageros dos espertos do ’25 de abril’. Hoje como ontem não podemos continuar a fazer da capital (e arredores) o monopólio da politização. Ontem como hoje os valores mais simples vencem as arrogâncias e os intentos dalguns ‘democratas’. Hoje como ontem não podemos pactuar com subterfúgios de interesses de grupo ou de ideologia…

Porque acreditamos que não há – nem pode haver – donos da democracia, perguntamos: quem tem medo de comemorar o ’25 de novembro’? Também o ’25 de abril’ não é posse de ninguém. Quem se quiser apossar dele vai perceber que se comporta como uma espécie de ditador encapotado…mesmo que não o queira assumir.

Portugal merece melhor. Portugal precisa de muito melhor!
 

António Sílvio Couto


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