Partilha de perspectivas... tanto quanto atualizadas.



segunda-feira, 12 de novembro de 2018

Seminários: o que são e qual o sentido atual?



Habitualmente, na Igreja em Portugal, celebra-se entre o segundo e o terceiro domingo de novembro a ‘semana dos seminários’, trazendo à visibilidade de toda a Igreja este setor importante da mesma Igreja: os seminários. Mais do que as casas, pretende-se olhar, ter presente e refletir sobre quem, nesses locais, se prepara – e ajuda a preparar – para poder vir a ser padre.
O tema deste ano é: ‘formar discípulos missionários’.

Ora, há quem considere o seminário como ‘o coração da diocese’. Ora se o coração está doente, o resto do corpo poderá tornar-se enfermo! Qual o antídoto para esta doença?
No seminário – menor, médio ou maior – se formam os padres que servirão o povo de Deus duma determinada diocese. Se bem que, na maioria das dioceses portuguesas, quase não haja o seminário menor, na sua grande parte ainda há o seminário médio (envolvendo alunos até ao ensino universitário) e sobretudo o seminário maior (onde se preparam, pelo menos durante seis anos, os que poderão vir a ser ordenados padres)…
‘Seminário’ é, assim, o lugar onde estudam, rezam, refletem e amadurecem a sua vocação os que sentiram o chamamento de Deus a virem a ser padres… Cada tem a sua história e o seu percurso, que há de ser discernido por superiores bem preparados (ao menos na teoria) para que a Igreja tenha os padres que precisa em cada tempo e em cada diocese…
Olhemos os dados 

Se consultarmos os dados disponíveis poderemos ficar a saber que há cerca de duzentos seminaristas maiores nos seminários em Portugal, na sua maioria em quatro centros: Braga, Porto, Lisboa e Évora aos quais se associam as dioceses com proximidade e afinidade… havendo ainda algumas dioceses que têm seminário próprio, bem como um movimento da Igreja, que tem espalhados seminários em diversas dioceses, tal como as congregações e institutos religiosos.

Se formos um pouco rever os números anteriores podemos registar que, no ano 2000, havia 547 seminaristas; em 2012, 474; em 2015, cifrava-se pelos 551 seminaristas.

Poder-se-ão colocar várias questões quer quanto ao número (quantidade), quer quanto as razões (qualidade) dos nossos seminaristas. Com efeito, embora eles estudem, amadureçam ou sejam educados num determinado seminário – realidade que retrata o meio onde se insere bem como as influências que recebe – será sempre mais preciso preparar pessoas capazes de estarem disponíveis para servir Deus na Igreja onde for mais oportuno, necessário e conveniente. Deste modo temos de estar atentos a uma nova realidade que é a vinda de seminaristas de países (ditos) de missão que agora começam a chegar ao nosso país, atenuando mesmo as carências que em muitas dioceses se verificam. Há dioceses de países lusófonos que têm oferecido seminaristas aos seminários do nosso país, pois lá têm abundância de candidatos e poucos meios para os alimentarem e lhes suportarem os estudos… Algo se está a passar e precisamos de saber ler os sinais destes tempos!

Na minha leitura pessoal da educação ministrada nos seminários, teremos, com alguma urgência, de questionar a supressão – quase na totalidade nas dioceses e congregações religiosas – dos seminários menores. Estes tem um lugar na dinâmica vocacional, negligenciá-los sem mais é para além dum risco algo que se poderá vir a pagar a fatura com fenómenos nem sempre bem enquadrados…na ordem afetiva, eclesial ou mesmo formativa.

O atual processo apresentado pela ‘ratio fundamentalis’ (de 2016) com as várias etapas preconizadas para a formação dos futuros padres – propedêutica, de discipulado, de configuração e de pastoral – deve ser alvo de estudo de toda a Igreja, pois se não formos ao essencial poderemos andar a fazer muitas coisas urgentes, mas não as necessárias… E o futuro situa-se na formação dos seminários!

 

António Sílvio Couto

sexta-feira, 9 de novembro de 2018

‘S. Martinho’: qual o significado do magusto?


Há quem chame ao ‘São Martinho’ – enquanto festa com incidência popular – o ‘carnaval de inverno’. Haverá alguma razão para esta designação? Talvez. Com efeito, por ocasião do ‘São Martinho’ – tendo como data de referência 11 de novembro – há sinais de festa e de convivialidade – pública, social e eclesial – que quase fazem lembrar alguns dos excessos do carnaval, como momento de folia em razão da penitência da quaresma, que advirá.

Assim, em tempos de maior fervor cristão, se fazia com que, mais ou menos quarenta dias antes do Natal, houvesse alguns excessos de festa para depois se entrar no rigor de preparação do Natal…agora reduzido ao tempo escasso de breves quatro semanas (nalguns anos só domingos) de Advento…Deste modo o magusto reverte-se dum alívio na penitência, que se há de viver com a preparação penitencial para o Natal…De facto, os doces e sinais festivos da época natalícia são (ou deviam ser) mais do que tradições e rituais… sociais e cultuais…mais ou menos esclarecidos.

 Contexto da ‘lenda de São Martinho’

 Decorreria o ano de 337, num outono duro e frio que assolava a Europa. Reza a lenda que um cavaleiro gaulês, chamado Martinho, tentava regressar a casa quando encontrou a meio do caminho, durante uma tempestade, um mendigo que lhe pediu uma esmola. O cavaleiro, que não tinha mais nada consigo, retirou o manto/capa de militar que o aquecia, cortou-o ao meio com a espada, e deu-o ao mendigo. Nessa mesma noite apareceu-lhe Jesus, agradecendo o gesto de caridade para com mendigo, dizendo que o mendigo era Ele, Jesus.
O cavaleiro da história era um militar do exército romano que abandonou a guerra para se tornar num monge católico, tendo sido escolhido para bispo
São Martinho foi um dos principais religiosos a espalhar a fé cristã na Gália (a atual França) e tornou-se num dos santos mais populares da Europa! Diz-se que é o protetor dos alfaiates, dos soldados e cavaleiros, dos pedintes e dos produtores de vinho!
Foi a 11 de novembro que São Martinho foi sepultado na cidade francesa de Tours, onde foi bispo. Além de Portugal, também outros países festejam este dia. Na França e na Itália, à semelhança de Portugal, comem-se castanhas assadas. Já em Espanha, faz-se a matança de um porco, e na Alemanha acendem-se fogueiras e organizam-se procissões. 

Ora atendendo à conjugação entre o lendário e os desafios que este santo nos coloca, poderemos encontrar, hoje, o modo mais simples e cristão de celebrar em festa os dons de Deus para podermos viver a preparação para o Natal, que acontece daqui a quarenta e quatro dias… tanto como o tempo de proposta de vivência da quaresma, rumo à Páscoa.

Não será necessário esclarecer um tanto melhor os ‘rituais’ de festa que vivemos, por tradição em tantos dos momentos do ano civil? Não valeria a pena investir nesta explicação das simbologias em vez de continuarmos a fazer como se soubéssemos as razões das coisas? Afinal, nesta Europa descristianizada, mas ávida de oportunidades de consumismo, não haverá um fundo bem mais cristão do que aquele que temos, que vivemos ou que difundimos? Como dizia Jesus: ‘se o sal perder o sabor com que havemos de salgar?’

 

António Sílvio Couto

quarta-feira, 7 de novembro de 2018

Das ‘unhas pintadas’…ao estalar do verniz


Andou divulgado nas redes sociais e nalguma comunicação social que uma senhora deputada foi fotografada a pintar as unhas durante a apresentação do orçamento de estado/2019. Ao que parece foi fácil de identificar a sujeita, que se manteve em silêncio até ao momento em que se achou no direito de rotular de ‘imprensa antidemocrática’ quem ousou difundir, comentar, acrescentar, vituperar tal façanha pouco digna para quem é paga com o dinheiro do povo, pretensamente discordante do seu comportamento.

Ler algumas das tiradas da dita deputada fazem corar o mais envergonhado da vida em sociedade, desde rotular de ‘pasquim’ quem não a considera, segundo ela, como devia, indo até à ofensa aos jornalistas e colaboradores dos jornais, televisões e órgãos de comunicação pela internet, invetivando intenções e quase argumentando com tentativas de golpes antidemocráticos pela simples razão de não serem da sua coloração, tanto partidária como de lóbi de costumes… Chega a dizer: ‘é a livre formação da nossa opinião que está em causa. É a democracia que está em causa’…

Quem quer ser respeitado tem de se dar ao respeito, pois, não será com dislates desta jaez que tal deputada será respeitada, dado que não aprendeu a conviver com a diferença de opinião e logo classifica de ‘antidemocrático’ nos outros o que talvez seja sua deformação…em abuso de poder e de posicionamento.

Já se suspeitava que a senhora se achava o suprema-sumo das ideias que fazem andar o mundo. Ora, o pai, que é uma das figuras mais venerandas da nossa vida democrática real, nunca quis atrair a atenção para tanto que fez nestes quarenta anos após a revolução. Pois, ela achasse no direito e na obrigação de se pretender respeitada por ela e pelo progenitor…Isso que diz seria tolerável no ‘estado novo’ que o pai serviu anos a fio! Ainda diz que a imprensa não é democrática. Aceitar o seu praguejar é algo do mais sublime que se pode entender e considerar para com quem não pode ser minimamente beliscada, se ainda houver onde e como! 

= Este episódio quase rocambolesco dá como que a nota sobre algumas das figuras da nossa praça, que podem dizer tudo e o resto do que lhes apetece, mas que se melindram quando, metendo o pé na argola, são dignas de crítica, de serem ripostadas e, sobretudo, de não se acharem acima do resto da populaça, se bem que precisem dela para se manterem no poder com as mordomias que lhes estão adstritas, até de poderem pintar as unhas nas horas de serviço…

Começa a cheirar a regime de ditadura certos tiques dalguns que têm estado na atual governança: umas vezes combatem as rendas à habitação, mas auferem largas maquias com prédios, andares e heranças; outras vezes criam suplementos de impostos sobre meios de investimento, mas aprovam conluios de forças contra os seus proventos; nalguns casos fazem-se de vítimas para conquistar os desatentos, enquanto vão servindo interesses nem sempre claros e sérios… Falamos de casos de barrigas de aluguer, das ideologias de género, de benefícios para turismo rural ou alojamento local, de aumentos de ordenados sem olhar a meios, de combate à iniciativa privada, que alimenta o sorvedouro do funcionalismo público…Quase tudo para proveito dos seus simpatizantes, eleitores e militantes!

Parece que tudo serve para dar depressa o que nos cairá encima da cabeça, quando não formos capazes de continuar a manter a vida de preguiça e de alienação que vai sendo o verniz da tanta desta gente sem escrúpulos nem princípios…democráticos e de tolerância. Porque não vão pregar este sermão da abundância às terras de Maduro e da Coreia do Norte, de Cuba e dalguns países esfomeados pelas opções (impostas) das suas correntes ideológicas? Aqui pagam-lhes para desfazerem, lá podiam trabalhar para construir. Aqui têm a possibilidade de dizer e de fazer tudo o que lhes apetece – mesmo ofendendo quem pensa de forma diferente da sua – lá talvez pudessem ajudar a reivindicar o mínimo, desde os direitos cívicos básicos até à alimentação e à saúde. Aqui podem dizer mal do capitalismo, mas é este quem lhes sustenta a prosápia e os faz receber chorudos ordenados no parlamento europeu e nacional…

A democracia pressupõe – penso eu – diversidade. O pensamento único conduz – creio eu – à ditadura. A unanimidade – parece-me – faz dos cidadãos joguetes de poderes pequenos…sem valor nem qualidade. De facto, o verniz das unhas pintadas estalou e já pouco se pode remendar. Haja tento e bom senso, hoje e sempre!

 

António Sílvio Couto



terça-feira, 6 de novembro de 2018

Da ilusão…à realidade


Dizem que, por estes dias, Lisboa vai estar nas bocas do mundo devido à realização da ‘web summit’. O acontecimento de alta tecnologia traz à capital cerca de setenta mil novas criaturas, gerando milhões de euros em serviços direta ou indiretamente ligados ao evento.

Falar em milhões parece ser a caraterística mais comum neste acontecimento de novos-ricos, desde os governantes até aos potenciais investidores…quase sempre numa lógica de fartura em exageros senão reais ao menos virtuais. Consta que, só uma noite de dormida, poderá andar muito perto de mil euros por pessoa, isto sem falar nas diversões noturnas e outros adereços à grande.

Por outro lado, surgiu, nos tempos mais recentes uma outra informação que contrasta com este clima efervescente de grande sucesso das massas populares e dos que mandam nos outros. Diz um estudo da União Europeia, feito entre os 28 estados-membros, que os portugueses estão entre os europeus que mais temem chegar à velhice sem rendimentos suficientes: apenas 25% da população portuguesa acredita ter dinheiro suficiente para viver quando chegar a altura de deixar de trabalhar e na fase do envelhecimento.
Por sexos as mulheres (75%) são as mais pessimistas, enquanto os homens se cifram em menos três pontos percentuais...nas preocupações quanto ao futuro, na velhice. Os gregos são os mais preocupados e logo a seguir aparecem Espanha e Portugal. Há também uma diferença de sexo no grau de receio em enfrentar a velhice sem rendimentos adequados. As mulheres são quem apresenta maiores níveis de preocupação na generalidade dos países. Pior do que nós só mesmo na Grécia e na Espanha. Do quadro dos 28 estados-membros da UE surgem com mais preocupados os países da Europa do sul - Grécia, Espanha, Portugal e Itália e alguns dos mais recentemente aderentes, como Letónia, Bulgária, Hungria, Polónia e Eslovénia...  

* Como se pode interpretar esta discrepância sobre factos neste mundo em que vivemos? Até onde haverá verdade: na riqueza a esbanjar ou na pobreza suportada em surdina e com vergonha? Qual é o país verdadeiro: o da ilusão tecnológica e estrangeira ou o da contenção das pessoas entre portas? Quem fala verdade: a prosápia de ricos sem limites de despesas ou aqueles que contam todos os cêntimos para que cheguem ao final do mês e para o resto da vida?  

* Perante a forma como muita gente se conduz na vida é – ou parece ser – cada vez menor o investimento na poupança. Uma parte significativa dos nossos contemporâneos vive a realidade do ‘chapa-ganha, chapa-gasta’, pois o incentivo ao consumo faz com que não se pense no amanhã, sobretudo na fase da velhice. Ora, nada há de mais enganoso do que este clima e tal mentalidade. Dá a impressão que consideramos que os descontos para uma (dita) segurança social irá suportar os incomportáveis gastos da etapa do envelhecimento. O recurso ao ‘pé-de-meia’ com que muitos dos mais velhos se iam revestindo ao longo da vida, deixou, ao que parece, de fazer sentido para muitos dos que hoje ainda têm emprego, gastando tudo ou mais do que ganham. Esta ilusão irá deixar muita gente na valeta da vida, pois sem meios ou recursos os (ditos) lares não darão espaço a quem não seja minimamente sustentável. Isto já para não falar da falência de meios da segurança social, pois sem haver quem desconte, porque não há quem trabalhe, também não será suportável o que nos espera…  

= Uma anedota, que nos poderá fazer refletir sobre o que é essencial, bem como nas respostas que podemos dar a quem não nos perguntou, falhando mesmo a resposta que era necessária e correta.

Um velho senhor foi a um banco para levantar cinquenta euros. Quem o atendeu respondeu-lhe que, ao balcão, só se podia levantar duzentos euros, os 50 euros podiam ser levantados no multibanco. O senhor retorquiu que não sabia funcionar com essa maquineta, tendo o senhor do balcão dito que poderia vir noutro dia e alguém lhe poderia ensinar a funcionar com o sistema. Pensando melhor o senhor freguês aceitou levantar os 200 euros e assim resolver o assunto. Após ter conferido o dinheiro o senhor do balcão inquiriu se havia algo mais a fazer, ao que o senhor mais velho retorquiu: quero, agora, depositar cento e cinquenta euros… Porque havemos de responder o que nós entendemos e não entramos na lógica dos outros? 

 

António Sílvio Couto

segunda-feira, 5 de novembro de 2018

Celebração ‘solene’ da derrota?


O imponentemente despudorado desfile militar feito para assinalar o armistício da primeira guerra mundial não deixa de ser um espetáculo digno do terceiro-mundo: Portugal sofre entre 1914 e 1918 a mais ignóbil humilhação das suas forças militares e, passados cem anos, fazem disso um desfile/manifestação com mais de quatro milhares de elementos das forças vestidas com farda e veículos alindados em maré de fim de validade… A ver pelo aspeto poucos estariam capazes de disparar a mais inútil munição, se fosse necessário!

Eis o que somos na Europa e no mundo: algo de risível com cara séria – pudera a derrota ainda não foi digerida – e com um tal ar circunspeto de figurantes na encenação…Mas não é isso que somos na pretensa Europa comunitária, em união ou em reunião!

Nem mesmo o recurso ao ‘herói milhões’ consegue atenuar a vergonha que devia percorrer o todo nacional, sendo, claramente, escusados alguns dos internacionalistas que se perfilavam na tribuna.

Mais de cem mil portugueses foram literalmente ‘carne para canhão’ nas trincheiras francesas nesse longínquo século decorrido. Por isso, recorrer a esses tempos de antanho para fundamentar uma certa luta contra fantasmas que povoam as mentes dalguns políticos é, acima de tudo, erro histórico à mistura com clichés dialético/marxistas a gosto e com subtil à vontade de quem deseja ser popular e se está a tornar mais um dos veículos de populismo barato e sem necessidade de fazer grande coisa para ser reeleito quando for a votos… 

= Não deixa de ser sintomático, para a aferição dos critérios europeístas, que muitos dos usufruidores das benesses da UE sejam antigos recauchutados das trincheiras da ‘guerra fria’, saídos das lides de contestação aos ditos valores capitalistas e que agora, envernizados na maquilhagem de Bruxelas ou de Estrasburgo querem vender-nos uma tal propaganda de cordel que nem os bufos do ‘estado novo’ tentavam impingir sob a batuta da censura ou essoutra moralidade bafienta que faziam crer no melhor dos mundos. De facto, há forças que ainda não fizeram o reset dos seus erros nem reconheceram que foram causadores de milhões de mortos por vingança ou por delito de opinião. Alguns deles – sobretudo no nosso contexto de brandos costumes – ainda se passeiam nos corredores do parlamento e até influenciam as decisões governamentais da geringonça… Querem que os fascistas se retratem – e muito bem – mas eles nunca assumiram nem reconheceram que foram causadores de malefícios a uma boa porção da Europa, que diziam dominar pelo medo, a coação e a repressão: milhões foram deportados para a Sibéria, exilados e retirados dos seus países, sem nunca fazerem a mais pequena amostra de que têm culpas provadas e as mãos sujas com sangue inocente ou ao menos sem culpa formada… 

= Haja moralidade para que queiram associar-se à vitória nalguma das duas guerras ‘mundiais’ do século XX. Não tentem limpar com o esquecimento as manchas dos crimes dos seus antepassados. Não venham com subtilezas quase infantis para surgirem como defensores da liberdade, quando foram os seus maiores detratores e usurpadores. De que adianta andarem de crachás de mérito ostensivos se não passam de ditadores encobertos ou mesmo enraivecidos.

Valerá a pena não esquecer a conexão entre a mensagem de Fátima e o regresso dos soldados da guerra, tal como prometeu a Senhora aos pastorinhos. Ela prometeu e cumpriu, mas os jacobinos, que atiraram os ‘nossos soldados’ sem preparação para a atoleiro das batalhas em França, nunca se assumiram na real consequência daquilo que os fez serem lacaios das forças que serviam e os condecoravam sem nada terem feito para isso. Urge, por isso, que seja feita justiça histórica a quem foi usado para dar cumprimento a tarefas de interesses transnacionais sem rosto nem identidade…

Numa palavra: o desfile militar comemorativo do armistício dá a impressão que tenta esconder mais do que mostra. Aquelas panóplia de forças mais parecia uma manifestação da praça vermelha, de Pequim ou de Pyongyang do que um espetáculo da era da internet. Merecemos melhores atores e material mais atualizado! Até na derrota tem de haver dignidade, ontem como hoje! 

    

António Sílvio Couto  

terça-feira, 30 de outubro de 2018

Equipas de (futebol) mercenários…


Numa das últimas partidas de futebol, nas competições europeias, uma equipa portuguesa tinha, no seu onze titular, apenas um jogador de nacionalidade lusa…por sinal com estatuto de internacional pela seleção. Ora isto como que nos pode e deve fazer refletir sobre a composição da maioria das equipas que praticam futebol, a sua representatividade do país ou mesmo sobre um certo mercantilismo em que se move a (dita) ‘indústria do futebol’…ou será antes comércio?

De facto, muito daquilo que se vive no mundo do futebol – com código de conduta próprio, regras e leis à medida, gestão e financiamento à sua maneira, critérios e valores adequados aos seus objetivos – faz dele uma sociedade à parte do resto das ocupações sociais, cívicas e quase morais. Ai de quem tente entrar nesse mundo, correrá o risco de vida ou ao menos de integridade física e psicológica!

Se soubéssemos ler os sinais que o futebol emite diríamos, no mínimo, que estamos umas décadas ou séculos atrasados, pois aí se vendem homens por preços exorbitantes, quais escravos da Idade antiga ou negreiros (não tem o sentido da cor da pele, mas tão só da atitude laboral) dos nossos tempos. Se naquelas épocas houve vozes que se ergueram para contestar e combater a escravatura, hoje estamos calados e cúmplices duma afronta à dignidade humana, pela simples razão de serem mais bem pagos e, portanto, escravos de qualidade extra… pelo trabalho que faz encher estádios e polariza discussões de clubes.

Estes mercenários circulam de país em país, ao sabor da melhor execução futebolística, sem nos apercebermos do curto tempo de validade que têm e da exploração física e moral a que estão submetidos pelas mafias não detetáveis pela fuga aos impostos e à promoção duns tantos mais habilidosos… sejam magnatas do petróleo, autarcas em ascensão ou dirigentes com tiques de caciquismo.

Em tempos dizia-se que jogavam por ‘amor à camisola’, agora dizem-se ‘profissionais’, desde que melhor pagos ou trocados por idênticos executores mais novos e artísticos. Há situações em que um jogador pode jogar e marcar por uma equipa/clube e, num curto espaço de tempo, estar do outro lado da barricada contra quem antes lhe pagava ou de cuja camisola se dizia defensor… Não será isto uma atitude de mercenário? Não faltará nisto ética e sentido de responsabilidade? Não se difundirá mais a propensão para a mentira do que a valorização da verdade…humana, ética e desportiva? 

= Eis breves questões sobre o tal ‘mundo’ do futebol:

- Quando se fará uma investigação despida de preconceitos para averiguar se o futebol não é um espaço de lavagem de dinheiro de outras atividades ilícitas, ilegais e quase imorais?

- Quando se fará uma purga de tantos interesses que se vão encobrindo no âmbito do futebol e com armas pouco claras e minimamente verdadeiras?

- Quando se vê alguma luta pela dignificação da exposição/venda dos animais, não se estarão a esquecer os campos do futebol, sem medos nem ressentimentos, vendendo os executantes (jogadores, treinadores, dirigentes, etc.) como artigos sem marca nem qualidade?

- Quando se dá mais importância ao jogo feito fora do campo, não se estará a desdignificar quem o pratica em favor de quem o cozinha?

- Quando se passa mais tempo a discutir o jogo e menos a disputá-lo com verdade e honestidade, não se estará a dar importância aos abutres em vez de olharmos para as aves que, de facto, voam?  

Ora, enquanto o futebol for mais indústria e/ou comércio e menos desporto, estaremos a confundir as funções dos praticantes, dos dirigentes e dos que gostam dele como ação humana digna e dignificadora… Tudo o resto poderá cheirar a mentira, a confusão e a corrupção… com mais ou menos mercenários e menos para mais desportistas!

 

António Sílvio Couto  

segunda-feira, 29 de outubro de 2018

João 8, 32


«Conhecereis a verdade e a verdade vos tornará livres».

Foi com esta frase bíblica que o candidato vencedor nas eleições presidenciais no Brasil se apresentou diante das câmaras de comunicação.

Jair Messias Bolsonaro conseguiu 55,1% dos votos (57.797456 votos), enquanto Fernando Haddad recolheu 44,9% da votação (47.040 820 votos). A diferença foi de dez pontos percentuais e de mais de dez milhões de votos expressos.

De entre os vários momentos na hora da vitória foi significativo o tempo de oração em direto, para além do slogan com que terminaram: Brasil acima de tudo; Deus acima de todos.

Atendendo ao ambiente crispado com estas eleições no Brasil decorreram, há pequenos (ou grandes sinais) que nos devem fazer refletir, tenhamos – quanto aos candidatos votados – a preferência que quisermos.

Desde logo pareceu que, nalguma da comunicação social portuguesa, não havia total independência, antes se notou sempre – até depois dos votos contados – uma tendência anti-Bolsonaro apelidando-o de ‘extrema direita’, de ser antidemocrata, homofóbico, misógino, de colocar em risco o futuro do seu país… Mas haverá cerca de 58 milhões de enganados e os outros 47 milhões, que votaram no candidato vencido, foram sempre e só democratas?

Houve temas e assuntos que foram introduzidos na contenda que podem incomodar alguns dos políticos mais materialistas e marxistas, ateus e agnósticos, fazedores duma moral anti-vida e, sobretudo, contra a família. Deus apareceu nestas eleições duma forma quase só comparável à dos jogos de futebol, na linguagem dos jogadores brasileiros. Referências a Deus foram normais. Colocar o que se estava a passar sob os desígnios de Deus foi habitual, bastando referir a vida – após o atentado a Bolsonaro – do candidato…agora eleito presidente.

Assuntos que eram considerados quase tabu foram trazidos para o espaço público, tais como a questão da família, levando, por vezes, certos lóbis lgbt a fazerem razoável barulho, com acusações, ameaças e convulsões. Por aqui se pode ver que há muita gente – lá como cá – que só conhece uma forma de democracia, a sua e sem tolerância para com os outros, sobretudo se pensam, agem e vivem de modo diferente do deles: temos de os aceitar e eles/elas não nos compreendem…minimamente!  

= Neste mundo globalizado pode-se perceber um tanto melhor que precisamos de ter ideias claras e simples para estarmos neste mundo, tantas vezes adverso para com os que têm fé e que a tentam exprimir de forma livre, respeitada e respeitadora. Agora já não se trava uma luta entre católicos e protestantes, como em séculos passados, mas antes entre crentes e não-crentes (podendo manifestarem-se como descrentes, agnósticos ou ateus confessos), seja qual for a expressão religiosa que se possa professar. Isso mesmo se viu nas eleições brasileiras, evangélicos e católicos foram-se revendo nas propostas do presidente eleito, tal como outros se assemelharam ao que era defendido pelo candidato vencido. Talvez seja exagerado aquilo que foi dito na noite eleitoral sobre os evangélicos poderem ser os responsáveis pela vitória de Bolsonaro. Dever-se-á dizer que colocar a presença de Deus na política deveria ser mais normal do que tem sido sobretudo por cá na velha e anquilosada Europa…

Para alguns saudosistas da dialética marxista, dá a impressão que lhes está a escapar o controlo particularmente da comunicação social. Hoje nota-se uma vaga de fundo que perpassa muito para além do que a comunicação tradicional dizia, escrevia ou mostrava. Hoje as ditas redes sociais não estão mais sob a alçada dos critérios duvidosos dos senhores jornalistas… encartados. Hoje informar e ser informado é mais democrático e por isso (segundo eles) perigoso para a ‘sua’ democracia.

Está na hora de sacudir as peias da ditadura do politicamente correto! A democracia assim permite e tal facilita…até quando? E Deus velará por nós.

 

António Sílvio Couto