Partilha de perspectivas... tanto quanto atualizadas.



quarta-feira, 15 de março de 2017

Raposas no galinheiro…





A recente designação dum economista para o conselho consultivo do banco nacional, trouxe à liça esta expressão de ‘raposa no galinheiro’, pois sendo o dito nomeado duma certa visão económica, como poderá ele lidar com a instituição mais representativa da ‘economia de mercado’, isto é, o capitalismo de estado ou estado do capitalismo atual?
Deixando as diatribes sobre o assunto para os entendidos na matéria económica, parece-me que há muitas mais raposas infiltradas noutros galinheiros e estes mais indefesos do que aquele a que nos referimos.
Desde logo a expressão ‘raposa no galinheiro’ precisa de ser enquadrada e um tanto explicada. A ‘raposa’ é um animal selvagem, atacando, sorrateiramente, as suas presas e sendo uma predadora solitária… Falar de colocar a ‘raposa a guardar o galinheiro’ – uma outra expressão irónica – é como que colocar as vítimas ao cuidado dos réus…
Tentemos, então, encontrar situações e momentos, do nosso quadro coletivo ou pessoal, em que a raposa pode rondar ou atacar o galinheiro… esse reduto onde estão as ‘galinhas’, aqui entendidas como aqueles/aquelas que podem estar mais vulneráveis, indefesos ou expostos aos ataques das ‘raposas’, neste aspeto considerados, no todo ou em parte, como os habilidosos, os tacticistas, os espertos… que se infiltram ou a quem se dá a oportunidade de vencer sem (nem sempre) convencer.   
* Quando se convida alguém, ao qual se pode reconhecer um certo conhecimento em questões de fé – porque se disse cristão, se afirmou nalgum evento ou se faz passar por estar próximo nalgum desempenho prático – para que possa discursar para cristãos, mas de cujas outras formas de estar – na vida social ou económica, nas posições políticas ou partidárias – se pode melhor perceber que nem sempre comunga da fé católica… Não será isso meter a raposa no galinheiro, rapinando os mais incautos cristãos e menos bem ilustrados na fé? Nos tempos mais recentes temos visto bastantes raposas a rondar o galinheiro…
* Quando se abrem as portas – físicas e espirituais – das igrejas (paróquias, comunidades ou pequenos grupos) a uns certos devotos, que mais parecem pretender parar do que se comprometerem, seja a fé celebrada, seja a fé aprendida… mas, por vezes, pouco empenhada na vida. Com efeito, a proliferação de grupos e de expressões religiosas mais ou menos de teor tradicionalista podem fazer perigar o essencial do cristianismo, mais parecendo repositórios de crenças do que espaços de fé adulta e séria. Será preciso vigiar para que com a raposa não venham mais outros perigos…
* Quando vemos surgir mentores e mentalidades que preferem a religião devocional à visibilidade e compromisso na vida pública – podendo ter (mesmo) implicações nos aspetos políticos – poderemos estar a retroceder mais de meio século naquilo que o segundo Concílio do Vaticano nos trouxe e fez com que vivamos nessa onda de vivência de cristãos neste mundo. Quase de forma cíclica o regresso à sacristia tem vindo a ser difundido por alguns setores da Igreja católica. Nalgumas situações isso conquista mais adeptos do que o seu contrário. Não serão esses pretensos vigilantes da ortodoxia uma espécie de raposas que rondam o galinheiro para ninguém saia (ou entre) dos seus parâmetros de mediocridade?
* Quando na vida empresarial – privada ou de economia social, seja qual for o âmbito de produção – vemos uns tantos a lutarem por melhores salários – onde o mínimo se considera justo, mas aferindo a outros se torna (quase) insuportável – para os outros, mas não pagam àqueles/as sobre os quais têm responsabilidade, poderemos considerar que a raposa ataca o galinheiro alheio, salvaguardando – sabe-se lá a que preço e até quando – o seu reduto de forma desonesta e desleal. Assim não é possível construir uma sociedade mais justa e solidária, se aquilo que se pensa e se defende não condiz com a prática para com os outros!
* Quando se combate o ensino que não seja o público e se tenta passar, nalguns graus de escolarização, para as autarquias a responsabilidade de certas tarefas e ações, não será isso colocar a raposa a defender o galinheiro, afinando os dentes para atacar novos campos de atividade? Porque se tem estado a tratar este assunto em surdina e por trás do palco das notícias? A quem interessa esticar a corda da estatização, camuflando gastos e simulando promessas?
As raposas andam por aí: cuidemo-nos. As raposas atacam sorrateiramente: vigiemos. As raposas sabem mudar de roupagem e, em breve, poderão tornar-se hienas esfomeadas e tenebrosas!   
 
António Sílvio Couto

segunda-feira, 13 de março de 2017

É tempo de ser mais família


Na catequese quaresmal que proferiu, no passado domingo, doze de março, D. José Ornelas acentuou que ‘de cada um de nós depende a qualidade da nossa família’, conferindo tempo e espaço a todos, dado que ‘é tempo de ser mais família’…nesta época algo conturbada em que vivemos.

O Bispo de Setúbal intervinha na primeira das catequeses quaresmais, que este ano são dedicadas ao tema da família. Nesta primeira catequese o prelado quis dar-nos ‘Um olhar sobre a família’ e aconteceu na Igreja de Santa Maria, Barreiro.

Partindo da centralidade e posição determinante da família para a pessoa humana – ‘o ser humano é de todos os seres o que menos consegue viver sozinho’ – D. José Ornelas salientou que a família se sente pressionada, hoje mais até do que no passado, por mudanças e ideologias fraturantes, devendo estar em busca de novos caminhos, por entre a complexidade do nosso mundo. 

= O Bispo de Setúbal partiu da conceção bíblica de família para referir que, criados à imagem e semelhança de Deus, homem e mulher são, por isso mesmo, imagem do carinho divino e transparência do próprio Deus.

‘À imagem de Deus, os dois – homem e mulher – tornam-se participantes na obra criadora de Deus’. Com efeito, ‘a família é laboratório da vida’. Neste sentido, D. José Ornelas considerou que é preciso ‘pugnar por políticas que sejam mais favoráveis às famílias que optam por ter mais filhos’.

Nesta época que caraterizou ‘do utilitário’, o Bispo de Setúbal referiu que é precisa ‘uma radical mudança da mentalidade’, que começa por ‘querer amar’ e se repercute ‘no amor refeito pelo perdão, no amor fiel à imagem da fidelidade de Deus’. Este amor fiel ‘tem de tornar presente a presença de Deus’, rezando juntos e colocando-se juntos na escuta de Deus.

D. José Ornelas apontou algumas pistas para que a família se possa tornar mais cristã: é tempo de retomar a vivência de que ‘a nossa família conta no projeto de Deus, pois foi Ele que nos chamou, olha com carinho por nós e conta connosco’. Também é preciso ‘encontrar espaço para escutar Deus’, rezando juntos, pois ‘de cada um de nós depende a qualidade da nossa família’… 

= Atendendo à importância do tema e à sua dimensão diocesana talvez fosse necessário que esta iniciativa fosse (ou tivesse sido) melhor entendida e participada por leigos e eclesiásticos, pois duma formação comum poderá ser alimentada melhor a família humana, paroquial e eclesial. Se há campo onde todos temos muito a aprender uns com os outros é este da família, pois, em cada momento somos chamados a recomeçar e não a viver num certo requentado que não muda nem traz novidade… Nisto as lições aprendessem, estando em conjunto uns com os outros, acertando a linguagem e aferindo os conceitos.

A distribuição das catequeses por vários lugares da diocese não pode – ou não devia – servir de desculpa para ir só àquela que está mais ao pé-da-porta, pois as várias vertentes do tema estão encadeadas – como se viu na experiência do ano passado – e todos os aspetos constituem uma formação sequente, ministrada pelo nosso Bispo. E nem mesmo a transmissão das catequeses via-internet ou a sua colocação na página da diocese podem servir de menor empenhamento, pois a graça de estarmos juntos cria comunidade e faz crescer na comunhão…pela presença fraterna e comunitária.

 = Nesta etapa da nossa caminhada diocesana, há certas perguntas que me afloram à mente e ao coração:

* Como podemos defender a família dos ataques – sociais e culturais, políticos e económicos – que vivemos?

* Até onde irá a capacidade de resposta cristã, que não seja meramente saudosista e um tanto antiquada?

* Como se poderá ajudar as gerações mais novas a crerem na família e a serem educadas nos valores do evangelho? 

* Teremos ainda fogo capaz de apresentar a família como algo com futuro ou já perdemos a sensibilidade aos erros, confundindo-os com certas modas…materialistas?  

Efetiva e afetivamente, é tempo de sermos mais família onde Deus está e conta!         

 

António Sílvio Couto



quinta-feira, 9 de março de 2017

Tiques ‘novos’ à moda antiga


Por estes dias e nos tempos mais recentes temos vindo a assistir – nos vários campos de atividade e de ação pública e política, mas também social e até no âmbito religioso – ao ressurgimento de tiques mais ou menos já vistos e que tantos estragos fizeram no nosso país…nesta era da (dita) democracia.

O cancelamento duma conferência sobre ‘populismo ou democracia? O brexit, Trump e Le Pen em debate’, numa (pretensamente progressista) universidade, em Lisboa, tem sido como que o rastilho para percebermos que uns tantos podem silenciar quem não pensa como eles, aduzindo a isso epítetos e argumentos de colonialistas, racistas e xenófobos com que foram classificados, por uma tal associação de estudantes, os promotores e talvez os que pudessem interessar-se pela dita palestra…  

Outrossim se poderá dizer das posições de certas forças ideológicas que, quando não são favorecidas nas posições por algum organismo oficial – económico, de regulação, social ou cultural – logo atiram para a fogueira os visados e ameaçam com a modificação dos parâmetros ou com a extinção…libertando, deste modo, o campo para que seja feito segundo os seus critérios e vontades…

Mal vai uma Nação na qual seja preciso argumentar com a credibilidade da comunicação social, quando esta se faz, sobretudo, eco da voz do dono…seja ele estatal ou privado. Só alguém muito inocente acredita que haja independência total neste ‘quarto poder’, que por querer afirmar-se no espectro geral tem de lutar com as armas que pode e talvez nem sempre ser tão anódino como uns tantos queriam… Há, de facto, coincidências em noticiar temas que só ‘por acaso’ surgem quando é preciso desviar as atenções de algo que se deseja distrair. Talvez só por razões ético-profissionais não se diga tanto quanto é preciso e possível dizer. Só quem nunca tenha andado por certos círculos – ou circos – é que se admirará da criação de diversões e da ampliação doutros episódios…  

= Fazendo-nos eco duma passagem bíblica poderemos considerar: nada há de novo debaixo do Céu, pois o que antes se viu, agora – duma forma diferente, mas não totalmente nova – surge. Será preciso, então, saber um pouco da filosofia da história para sermos capazes de interpretar o que agora acontece, sem ficarmos aterrados ou admirados com o que se está a passar.

Falta a muita gente visão abrangente e capacidade de discernimento, pois quem se defende, por vezes, usa armas que denotam mais fragilidade do que superioridade. Com efeito, ter medo daquilo que os outros pensam e, sobretudo, se o fazem de forma diversa da sua, será, no mínimo, insegurança e pouca tolerância, respeito e aceitação da diferença…na prática.

Recorrer a estereótipos e acusações do passado será, muitas das vezes, mais arrogância do que inteligência, embora possa representar alguma esperteza. Com efeito, há quem conte mais com a sua esperteza sem atender à inteligência dos outros ou ainda sonegue esta sem atender àquela.

Entrincheirar-se nas suas certezas, normalmente, não costuma ser bom princípio para o diálogo, seja com quem for, pois este gera-se no confronto de posições, com respeito e dignidade, sem pretender vencer só porque se acha que tem mais cotação… De facto, certas atitudes que vemos por aí mais parecem as posições duns certos animais que enfincando os meios de locomoção no chão não andam nem deixam andar…na sua convicção.

O recurso à recuperação de certos adereços – mesmo de classe ou de afirmação pública duma vocação – tem vindo a ser outro aspeto de tique ‘novo’ à moda antiga. Para quem precisa de se afirmar pela distinção talvez isso possa ser razoável, pior será se isso servir para se defender ou tentar colher frutos dum posicionamento (dito) superior. Em certas circunstâncias dá a sensação de que, quem assim se apresenta, pode considerar-se melhor do que outros que, podendo ou circunstancialmente usando, não o fazem de forma habitual… Este tique corre o risco de se difundir mais do que parece em certos meios mais fundamentalistas ou anticristãos. 

= Perante certos tiques podemos concluir que já não apresentam nada de novo, antes dão a impressão que denunciam uma recauchutagem de má qualidade! Verdade a quanto obrigas!  

 

António Sílvio Couto



terça-feira, 7 de março de 2017

Tr(i)unfos comprometedores…


Soube-se, por estes dias, que os dados sobre a execução orçamental do ano passado e a leitura dos mesmos foi criticada pelo ‘conselho de finanças públicas’ (CFP), cuja presidente do conselho superior considerou ‘um milagre’ o défice alcançado com ‘medidas que não são sustentáveis’ a longo prazo.

As reações foram tanto de espanto quanto de espantar: uns porque se quis inclui a nota do divino, onde o que foi feito saiu do pelo dos portugueses… outros porém, não contentes com as farpas dos técnicos do CFP, sugeriram ora a sua remodelação, ora a sua extinção… porque ao que parece por não se dizer – ou confirmar – aquilo de quem ocupa o poder deseja ou, sabe-se lá, por agora já não convirem as correções aos triunfos, que mais não parecem do que trunfos escondidos na hora de clamar vitória.  

= O que é e para que serve o CFP? O ‘conselho de finanças públicas’ é um organismo independente que fiscaliza o cumprimento das regras orçamentais em Portugal e a sustentabilidade das finanças públicas. Criado em 2011 e em exercício desde fevereiro de 2012 tem a missão de proceder à avaliação independente sobre a consistência, cumprimento e sustentabilidade da política orçamental, promovendo a sua transparência, de modo a contribuir para a qualidade da democracia e das decisões de política económica e para reforço da credibilidade financeira do estado. 

= Quem tem medo da verdade e parece que se esconde sob a capa do sucesso ainda não confirmado? Porque agora se teme que se diga que nem tudo correu bem, quando antes se fazia apanágio do ‘quanto pior melhor’? Não será possível que os atores da ação política tenham mais tento na língua, sem esquecerem o que disseram antes sobre os outros?

Até quando pensarão tratar os cidadãos como desprovidos de capacidade crítica, quando querem confundir a árvore com a floresta, isto é, acusar quem agora não lhes convém, quando antes aplaudiam porque lhes era favorável? Ainda creem que serão adulados nas suas pretensões, quando vão condicionando o apuramento dos números…mesmo que estes lhes possam – realmente – ser adversos? 

= Bastará trazer à colação o título – ‘triunfo dos porcos’, de George Orwell, de 1945, para intentarmos ler muitos dos episódios da nossa vida coletiva, seja quem for que ocupe o poder…em Portugal ou noutro país… indo embater na célebre frase: ‘todos os animais são iguais, mas alguns são mais iguais do que outros’.

Efetivamente, mesmo quem conhece a alegoria, tantas vezes se esquece de que está sob suspeita de toda e mais alguma vulnerabilidade de tentar proteger quem concorda consigo e de nem sempre aceitar quem discorda daquilo que diz-e-faz, mesmo que possa ter razão e alguma razoabilidade… sobretudo no futuro.

Nas tentativas de recauchutagem que fizeram surgir ‘o triunfo dos porcos’, vamos vendo que há muita gente que ainda não aprendeu as lições do passado – seja ela estalinista ou com outra coloração – pois correm o risco de continuar a tratar os outros com esses tiques de displicência e de sobranceria, que já deviam ter sido corrigidos com humildade e verdade… 

= Agora que estamos, catolicamente, em tempo de quaresma não deixa de ser fundamental que nos confrontemos com propostas da Palavra de Deus e do magistério da Igreja em ordem a tentarmos fazer cair a máscara – adereço essencial do teatro para ampliar a voz e fazer cumprir um papel de representação – diante de nós mesmos, dos outros e até para com Deus… Será preciso cada um conhecer-se para poder ser capaz de aceitar os seus erros e disfarces…mais ou menos aceites, legitimados ou tolerados. Se há uns que tiveram lições de teatro, outros há que não passam de fracos/as amadores, porque não amam nada nem ninguém… a não ser ao seu umbigo!

 

António Sílvio Couto



segunda-feira, 6 de março de 2017

Donald – entre o pato e o outro…


 

Faz parte dum certo imaginário infantil – pelo menos de muitos quinquagenários – a figura do ‘pato donald’, essa espécie de ícone dos desenhos animados que, em vários momentos, encarna uma espécie de personagem antipática, mal-humorada e mutante, em luta aguerrida com Mickey Mouse e sobrinhos… A finalizar cada episódio lá surge a voz grasnada… numa ‘leitura’ dos acontecimentos mais ou menos desagradáveis… Desde a década de trinta do século passado que o ‘pato donald’, os sobrinhos, adversários e afins têm preenchido imensas rábulas nas várias línguas e latitudes…entretendo e questionando.

Nos últimos tempos surgiu, entretanto, um outro ‘donald’ – donald joseph trump – que tem vindo a assombrar muitas mentes e a lançar imenso grasnar de reprovação a partir do seu novo ofício, o de presidente dos EUA. Diante da figura do ‘pato’, este novo ‘donald’ como que fica – ou tem vindo a ficar – cada vez mais como alguém que ensoberbe o tal ‘pato’, na medida em que as tropelias deste não passam de ironias perante as altissonâncias do (agora) investido em poder pelos americanos… 

= Há, no entanto, tantos sinais de seguidores do ‘donaldismo’ – mais o do pato do que o do político – que precisaremos de estar em contínua observância de factos e de ideias. Com efeito, vamos vendo serem tolhidas as energias de tantos que procuram dar um novo sentido à vida e aquilo que veem é a difusão da cultura da morte, seja relatada, seja no culto do direito à autonomia… essa nova forma de designar a possibilidade de promover a ‘morte doce’ (eutanásia) a pedido ou camuflada de legislação aceite…em (má) consciência…invencivelmente errónea!

O grasnar do ‘pato donald’ poderá tornar-se o refrão de assentimento de muitos dos desejos e projetos dos mentores da cultura da morte. De facto, ninguém pediu que se venha a soltar a ‘caixa de pandora’ dos movimentos fraturantes com que certos setores da ‘esquerda social travestida de política’ nos querem brindar nos tempos mais próximos. Enquanto nos desenhos de animação podíamos controlar o enredo, agora, desencadeadas as investidas, pouco restará para que seja possível aglutinar os cacos estilhaçados na nossa sociedade um tanto permissiva e bastante irracional. 

= Se estivemos atentos poderemos encontrar na textura dos combatentes do ‘donald trump’ que muitos daqueles que têm vindo a servir a luta contra certos valores que o ‘donald’ político tem estado a fazer reverter do seu antecessor, sobretudo em matérias éticas e sociais mais ou menos dos lóbis internacionais razoavelmente combativos e sobretudo anticristãos. Por vezes, o gato não escondeu bem o rabo e podem, então, ver-se os tentáculos aveludados em matéria de assunto e de notícias.

As questões relacionadas com a família, que tão maltratadas foram pela administração americana anterior, podem sofrer de novo posicionamento no contexto de toda a sociedade ocidental. Urge, por isso, saber distinguir o essencial daquilo que é secundário. Torna-se fundamental que pensemos pela nossa cabeça e que sigamos os valores evangélicos e não as meras diretrizes das lojas do avental e afins. Acrescente-se ainda que seria de gosto duvidoso que houvesse tantos ignorantes e desfasados mentais que elegeram quem os possa governar…mesmo que nem sempre acerte nos critérios mais adequados. Reduzir os eleitores à condição de quasi-mentecaptos será um tanto abusivo e preocupante para a democracia deles e a nossa!   

= Cuidemos, então, do nosso futuro, refletindo sobre o presente. Este será tanto mais assegurado na confiança quanto se souber para onde queremos caminhar, com quem desejamos ir e quais os desafios a concretizar. A ver pelos ‘patos’ que grasnam, algo vai mal no reino da fantasia… se desta se trata, pois para tal acontecer – haver fantasia – será preciso ser adulto nos valores e sério nos métodos, pois os fins nem sempre justificam os meios usados ou a promover. Quando vemos mulheres – portadoras, por excelência, do dom da maternidade – serem as primeiras promotoras da cultura da morte, algo vai mal no reino da realidade… funesta e fatalista! Quando vemos certas forças trocarem a ideologia por minudências de grupos de influência, teremos de suspeitar que a (dita) democracia corre muito sério risco…agora e no futuro!

 

António Sílvio Couto



terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

À luz da lua!


‘Moonlight’ – numa tradução brasileira: ‘sob a luz do luar’… aqui ousamos traduzir por ‘à luz da lua’ – foi o vencedor do óscar para melhor filme do ano passado…embora no primeiro anúncio tenha sido referido um outro… o que lançou uma solene e eminente bronca na distribuição das prebendas do cinema.

Não sou nem nunca fui grande cinéfilo, mas a confusão do espetáculo dos óscares foi digna da prosápia com que os excelentíssimos apresentadores e a maioria dos seguidores da dita ‘sétima arte’ têm vivido – nessa ocasião se refinaram – em tratar o chefe máximo do país que os acolhe…até porque muitos deles não passam de mercenários, onde a tal ‘arte’ tem mais bolor do que qualidade e a presunção nem precisa de maquilhagem para luzir… nas trevas da lua!

Quem queria tosquiar foi tosquiado – diz o nosso povo com razão! De facto, com tantas atribuições e tributos culturais, dar asneira num acontecimento daqueles, manifesta que algo vai mal no reino da fantasia. Ali foi posto a manifesto que a lua se eclipsou e, por breves momentos, ofuscou os discursos inflamados contra o poder legitimamente eleito, atirando para a lama quem atiçou as rezes na arena e fez com que se possa pensa – muito mais do que seria desejável – que tudo corre bem até quando se descobre a tramoia… 

= Deixem que, por momentos, se possa transladar aquele figurino todo ou em parte para a nossa praça – ou será antes saguão ou até porta dos fundos? – e com alguma vulgaridade poderemos recorrer a uns quantos argumentos de que uns tantos/as vingam (isto é, vencem) enquanto têm cobertura, mas um dia pode acontecer um resvalo menos previsto e tudo se poderá pôr a nu… A luz deixará de brilhar, pois já não reflete o sol que a suportava! 

Na verdade há situações e episódios que, na sua complexidade e subtileza, nos obrigam a tentar descobrir quem manobra quem ou como se faz e chega a algum posto a que que custo e com armas. Sinto que os acontecimentos mais recentes do nosso país económico e social, político e emocional tem vindo a ser tratado com alguma leviandade, senão no conteúdo ao menos na forma. Por onde andava o povo agora tão animado como não se via desde há dezassete anos? As agruras foram enterradas com tanta velocidade, que não se lhes vê já o rasto? Bastarão umas doses de (pretenso) otimismo para contagiar o resto do povo? A difusão dos afetos e abraços pagam as contas e as dívidas? Como se faz para que se vença a miséria e não se volte, brevemente, à casa de partida como (acontecia) no jogo do monopólio? 

= À luz da lua – ou ‘sob a luz do luar’ – parece ser um bom título para o desempenho de muitos dos artistas que vemos em atuação… Não me refiro à semelhança com o filme oscarizado, mas à ideia de que à luz da lua poderemos ir vendo as sombras, mas quando o sol aparecer, de verdade, não ficaremos admirados com os fantasmas que nos tentavam impingir?

Uma coisa é ser utópico, outra bem distinta é ser lunático. Tanto quanto é percetível este segundo estado tem vindo a derramar-se numa forma crescente e bem paga…neste nosso imenso Portugal em penumbra de esquecimento dalgumas malfeitorias, agora vendidas como regalias… numa cultura que tenta distrair com um rol de episódios em intriga…

Como é lamentável que certas vozes se tenham calado. Será que foram compradas ou se venderam? Como vivemos num nivelamento de menor denominador comum, quando precisamos de potenciar muito mais as nossas capacidades e possibilidades. A quem interessa enganar com uma tal paz podre e bolorenta? 

= Muito honesta e sinceramente, sinto que, neste momento, estou a ser enganado e que alguém mente – ou será que é só in-verdade? – e consegue ludibriar tudo e todos. Não temos – como país e até sociedade – riqueza capaz de fazermos a vida de opulência que vemos tantos/as a ostentar… ou, então, há quem consiga enganar, habilidosamente, os outros…e em especial o fisco. Não é possível continuar este filme por muito mais tempo…Um dia, a lua deixará de brilhar!    

 
António Sílvio Couto





segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Paróquia da Moita - Caminhada da família em família


Na Quaresma deste ano, a Paróquia da Moita quer estar em consonância com a proposta de caminhada diocesana sobre a família. Assim o tema da vivência paroquial situa-se na linha da ‘Caminhada da família em família’, tanto no desenrolar dos domingos como nas propostas de devoção como a via-sacra e da preparação do sacramento da penitência e através do exame de consciência.
Os domingos da Quaresma têm por tema, dinâmica e simbologia:
- I domingo (5.3): tentações - ‘da família recebemos’ e colocamos uma grande cruz no espaço celebrativo, como sinal da nossa caminhada... e meta.
- II domingo (12.3): transfiguração - ‘em família escutamos’, fazemos a entronização da Bíblia, convidando particularmente os avós a participarem.
- III domingo (19.3): samaritana - ‘na família cremos’, uma bilha com água nos faz alusão ao texto bíblico, convidando os pais (masculinos) a participarem em momento celebrativo com o ‘dia do pai’...
- IV domingo (26.3): cego - ‘com a família vemos’, sendo incluída uma vela alusiva à luz que iluminou o cego e convidamos as mães a participarem mais ativamente.
- V domingo (2.4): Lázaro - ‘como família vamos’, convidando os filhos/irmãos a participarem e usamos como sinal a veste branca do batismo, numa referência à veste de ressuscitado de Lázaro...
A via-sacra semanal, à sexta-feira, será dinamizada por famílias que se disponibilizaram a ajudar a rezar. As várias etapas (‘estações’) da via-sacra percorrem a proposta tradicional e incluem ainda textos do magistério da Igreja católica sobre a família, rezando com a família e pela família. Para as crianças foi também sugerido um texto adaptado à idade, segundo a via-sacra bíblica fomentada pelo Papa João Paulo II... Esta vivência de oração será usada na procissão do Senhor dos Passos, na tarde do domingo de Ramos.
O ‘exame de consciência’ preparatório da celebração do sacramento da Penitência e reconciliação segue os treze passos de 1 Cor 13,4-7 (hino da caridade), aprofundado pelo Papa Francisco na exortação apostólica pós-sinodal ‘A alegria do amor’ (n.ºs 89-119). Os vários grupos de catequese terão momentos específicos, em pequeno grupo, para a celebração do sacramento, sendo acompanhados pelos respetivos pais e avós.
De referir que, ao longo da Quaresma, é proposta a participação de todos nas conferências quaresmais diocesanas com o senhor Bispo D. José Ornelas.

António Sílvio Couto